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terça-feira, 26 de julho de 2011

ESPIRITISMO  =  NEO-CRISTIANISMO


Há 2.000 anos, Jesus veio até nós com a missão de transmitir-nos uma doutrina nova, toda ela envolvida no amor, com o objetivo de nos consolar e esclarecer sobre o significado verdadeiro da verdadeira vida. Sua mensagem ensinada, pela palavra e pelo exemplo,  nasceu e cresceu nos homens daquele tempo que, também, passaram a ensiná-la  pelo exemplo e pela palavra, arrostando todos os perigos e enfrentando, inclusive, a própria morte.
Durante três séculos, o Cristianismo cresceu se espalhando pelo mundo. E isto até o ano 325, quando aconteceu o Primeiro Concílio ou Conselho da Igreja Cristã, em Nicéia (atual Iznik), na Bitínea, sob a proteção do Imperador Constantino, reunindo cerca de trezentos (300) bispos,  divididos em três partidos, tendo como tema principal discutir a natureza humana e divina de Jesus, abandonando os ensinamentos dEle que foram a razão de sua vinda e a causa de sua morte. Ele foi sacrificado porque a sua doutrina contrariava os interesses egoísticos dos homens. Num mundo onde os interesses mesquinhos e a maldade predominam, aquele que se dispuser a fazer o bem, contrariando os interesses dos que exercem o poder e exercitam o mando, são, geralmente, sacrificados e, assim, afastados do caminho desses tais.
Morto Jesus, coube aos discípulos da primeira hora, e aos que se lhes seguiram, a missão da divulgação da mensagem cristã, o que fizeram com zelo e dedicação por toda parte. O Cristianismo crescia em todos os lugares do Império Romano, no ocidente e no oriente.
O Primeiro Concílio se preocupou com a pessoa de Jesus, não mais com os seus ensinamentos. O II Concilio, de Constantinopla, encerraria a discussão concluindo pela natureza divina do Mestre, criando então o Dogma da  Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. E, daí em diante, os dogmas se sucederiam, e da mensagem clara deixada por Jesus surgiria uma outra, com interpolações, que a tornariam de entendimento mais difícil e, nalguns casos, até mesmo impossível de ser entendida. A salvação, por exemplo, passaria a acontecer de fora para dentro,
 isto é, bastaria ao fiel a observância de determinados rituais, a participação de cultos e a aceitação dos sacramentos e dos dogmas que foram sendo criados no correr dos séculos.
Jesus sabia que a sua doutrina seria esquecida ou mal compreendida pelas gerações futuras e, por isso, promete aos apóstolos um novo Consolador:  “Mas aquele consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Jesus(João l5:26)
No dia 18 de abril de 1857, em Paris, é publicado “O Livro dos Espíritos”, por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizar Rivail, professor emérito, que se valeu de um pseudômino exatamente para que o seu prestígio pessoal não viesse a influir na aceitação da nova filosofia, que ele trazia à lume e que, aliás, não era sua, mas dos Espíritos que a haviam ditado.
O Espiritismo vinha com a missão de fazer aos homens novas revelações, em sendo ele mesmo a Terceira Revelação, e reensinar tudo aquilo que Jesus havia ensinado; noutras palavras, retirar dos ensinamentos de Jesus tudo aquilo que nele fora colocado pelos homens no evolver dos séculos.
Com o Espiritismo a salvação, libertação, voltaria a ocorrer de dentro para fora, isto é, o indivíduo terá de vencer as suas imperfeições, corrigindo os seus defeitos e modificando  as suas tendências e pendores ruins, cumprindo o mandamento cristão: ”Sede pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus”. Jesus (Mt.5:48). Ora, ninguém se aperfeiçoa sem vencer as suas imperfeições, noutras palavras, sem vencer-se a si mesmo.
O Espiritismo é o Cristianismo redivivo; por isso mesmo podemos dizer que Espiritismo e Cristianismo são a mesma doutrina cristã de há 2.000 anos, com os acréscimos trazidos pelos Espíritos, e prometidos por Jesus-Cristo, e que é do Espiritismo a missão de revelar aos homens as leis que regem os fenômenos espirituais, fazendo cair, de maneira definitiva, o véu da ignorância que ainda tolda a visão humana. O Espiritismo, em razão dessa sua missão, é o Neo-cristianismo, o novo Cristianismo, desvestido de tudo aquilo que não é de origem cristã, mas que é produto da ação humana, que  desvirtuou a Doutrina Cristã  para satisfazer os seus interesses egoísticos.
Espiritismo e Cristianismo, doutrinas de amor  que, por amor, buscam, se fazendo uma,  participar ativa e vitoriosamente da redenção humana.
FAZER AOS OUTROS AQUILO QUE GOSTARÍAMOS QUE OS OUTROS NOS FIZESSEM

O ser humano é egoísta e vive em função desse egoísmo. Ele se coloca em primeiro lugar, e as suas ações são sempre dirigidas no sentido de satisfazer esse egoísmo a qualquer preço. Para justificar o seu comportamento e a sua atividade pessoal e profissional, muitos se valem do princípio maquiavélico de que “ os fins justificam os meios”, isto é, para atingir os seus objetivos todos os meios, todos os recursos são válidos.
As notícias dos acontecimentos que estão ocorrendo em todas as partes do mundo, e não apenas no oriente médio, confirmam esse princípio, que se opõe naturalmente àquele que é defendido por todas as religiões e que chegou até nós pelos ensinamentos de Jesus. Enquanto este ensina: “Fazer aos outros tudo aquilo que gostaríamos que os outros nos fizessem”, o Mundo defende o princípio “os fins justificam os meios”, e este princípio é aplicado e seguido em todas as partes da Terra pelo homem comum e pelos poderosos ou por aqueles que detêm o poder.
O ensinamento de Jesus, que tem mais de 2.000 anos, pois já era ensinado pelas religiões antigas, nos indica um novo tipo de comportamento, este sim, capaz de revolucionar o sistema de vida do homem no Mundo. Entretanto, para que essa modificação ocorra, primeiramente o homem terá de modificar-se, combatendo o seu egoísmo; ele terá de olhar para o semelhante não como instrumento ou meio de sua subida ou realização material, mas como o seu complemento, e isto, naturalmente, terá de acontecer com todos os homens. Na adoção do princípio de “o fim justifica os meios”, os homens, de modo geral, o adotam, mais ou menos, intensamente, sempre dosado pelo egoísmo de cada um. Em primeiro lugar se encontram os meus interesses, despreocupado naturalmente com o interesse alheio. As formas de governo, quaisquer que sejam, se apóiam nesse princípio. Os governos taxam a população com impostos escorchantes estribados nesse mesmo princípio maquiavélico. A mensagem cristã, no entanto não foi, sequer, aprendida. Pensar nos outros antes de pensar em mim? Fazer aos outros o que gostaria que os outros fizessem por mim? Isto é loucura, E é por isto, que o Mundo atingiu a esse clímax de violência insana, invertendo a aplicação da norma evangélica para justificar a violência do animal que ainda anima o homem. Deixa-me destruir o meu inimigo antes que ele me destrua: e os homens-bomba se explodem em meio ao povo buscando ferir aqueles que consideram o seu inimigo; e as nações se armam e vão bombardear aquele povo ou nação que considera sua inimiga. Egoísmo e ódio comandando as ações humanas. O homem é ainda o “lobo do homem”, conforme ensinava um filósofo latino. Diante de tal raciocínio e ação correspondente, o ódio encontra ambiente e guarida para prosperar e fazer vítimas em toda a parte do mundo. Naturalmente ninguém gosta de ser atacado, no entanto, por supor que o será ataca primeiro; outro o faz para defender seu direito supostamente ameaçado; outro mais, para garantir o seu sossego e a sua estabilidade econômica ou aumentar a sua fortuna; outro ainda valer-se-á de recursos inconfessáveis para melhorar e garantir a sua tranqüilidade; e assim também as nações.
Se a máxima evangélica estivesse sendo aplicada pelos homens, ninguém se sentiria ameaçado, e o egoísmo, dominado, não ensejaria tanto comportamento agressivo e anti -humano, como ainda observamos.É verdade que já existem muitos agrupamentos humanos, sob vários nomes, em todas as partes do mundo preocupados em servir, vivenciando a máxima cristã “fazer aos outros...”, felizmente. Certamente que esses grupos crescerão’ e, no futuro, estabelecerão um “modus vivendi” cristão em todas as nações. Isto acontecerá, com certeza, sem podermos precisar quando. Os homens se cansarão de perseguir, furtar, corromper e matar, e passarão a servir, como gostariam de ser servidos. “Fazer aos outros...” é fazer o bem, exclusivamente, porque é o bem o que queremos receber sempre. Assim será. É a vontade de Deus.
          SE VOS AMARDES UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI...

Jesus foi o maior enviado que Deus mandou à Terra para transmitir aos homens a sua Palavra, o seu Verbo, com o objetivo de educar a humanidade para que ela pudesse ascender espiritualmente, realizando a grande transformação moral que deveria operar em si mesma no correr dos evos. João Evangelista compreendeu admiravelmente a missão messiânica de Jesus quando o chamou de “o Verbo de Deus encarnado”.
Ele veio, portanto, trazer aos homens todos a “Palavra de Deus” que foi a revelação de uma DOUTRINA NOVA, a DOUTRINA DE AMOR que ensejaria aos homens a mudança radical da sociedade, através da modificação comportamental dos homens, um a um, e, nessa mudança individual a transformação de toda a humanidade.
 A sua doutrina é a do AMOR, naturalmente de um amor diferente daquele vivido pelos homens daquele e do nosso tempo. Era, e é, um AMOR diferente o que ele ensinava, totalmente despido do egoísmo: eu amo para que tu me ames. Não, com Jesus, o amor é dínamo transformador: eu te amo para que te tornes melhor e mais feliz. O meu desejo é este: que tu sejas melhor a cada dia, mesmo que não me ames. Era o que Ele ensinava sem palavras. Ele simplesmente amava, sem cobranças, sem exigências, sem imposições, sem barganhas; Ele simplesmente amava aceitando cada um e todos como eram. Jesus, que era a Palavra de Deus, ensinava o amor que era a manifestação de Deus, porque Deus é Amor.
 Judas o traiu. Nenhuma queixa, nenhuma acusação, apenas perdão. Pedro o negou por três vezes no pátio de Caifás; nenhuma censura. Esbofeteado pelos adversários gratuitos, nenhum revide; condenado pelo Sinédrio ou Sanhedrin, nenhuma blasfêmia; julgado por Roma, por intermédio de seu representante na Judéia, Pôncio Pilatos, nenhum queixume. Era a Misericórdia, a manifestação maior do Amor, em não se queixando de ninguém e a todos perdoando. A Sua grandeza moral se tornava visível, e o Seu Amor transcendia a tudo e a todos dominava, quando, reunindo suas forças físicas na Cruz, bradou, para que todos O ouvissem: “Perdoai-lhes Pai, eles não sabem o que fazem”. O soldado romano que participara da sua crucificação, comovido até às lagrimas, disse: “Este homem era verdadeiramente o Filho de Deus”.
 Jesus não era, naquele instante, tão-somente, “o verbo encarnado”. Era também o Amor Divino que se fazia visível aos homens todos, mas percebido por aqueles que já possuíam em seus corações a chama nascente do amor que transcende as pessoas para se manifestar nas outras.
 No monte do Calvário se encontravam três crucificados: dois ladrões, Gestas e Dimas, e Jesus entre eles. Gestas blasfemava, enquanto Dimas o recriminava, dizendo que eles ali se encontravam por merecimento, enquanto Jesus nada fizera a não ser o bem( como é difícil fazer o bem e ser compreendido pelos que ainda não aprenderam a fazê-lo). Dimas, de vida equivocada, guardava, no entanto, em seu coração a chama do amor que sabe compreender.
 Os adversários de Jesus de todos os tempos, inclusive os de hoje, não foram capazes de entender a grandeza moral que Ele demonstrou durante toda a Sua vida, principalmente diante da dor e do sofrimento. Para enfrentar a adversidade, o sofrimento e a dor, sem desesperação e revolta, aquele, que se encontra em sofrimento, necessitará de uma coragem e grandeza espirituais incomuns. Covardes somos todos nós os que nos entregamos ao desespero diante da adversidade.
 Amai-vos uns aos outros”, conclama Jesus. Amemo-nos, assim como Ele nos amou e nos ama, aceitando-nos como nós somos. Aceitemos os nossos semelhantes como eles são, sem críticas ou recriminações, buscando ver as suas qualidades e esquecendo os seus defeitos; não os critiquemos e nem busquemos ver tão-somente as suas imperfeições.
Individualmente, deveremos nos analisar, a fim de nos conhecermos melhor, e, conhecendo as nossas fraquezas, tratemos de erradicá-las de nós para nos tornarmos melhores. Não devemos aceitar os nossos defeitos, acomodadamente. Ao contrário, deveremos buscar erradicá-los de nós, para que, a cada dia nos tornemos criaturas melhores.
Aceitar os defeitos alheios é nossa obrigação, e é diferente de aceitarmos os nossos. Quando conquistarmos a paciência, a compreensão, a tolerância, aceitando o nosso semelhante como ele é na realidade, certamente que já teremos avançado muito em nossa evolução espiritual e estaremos começando a amarmos-nos uns aos outros, e nisto todos verão que somos discípulos de Jesus.
O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que ama como Ele amou, e não o fato de pertencermos a essa ou aquele religião cristã. O amor que se expande a benefício do outro é o que eleva o homem na direção de Jesus, sob as bênçãos do Pai.
DEUS
Os homens, desde a fase primitiva da evolução, tiveram a necessidade de Deus e, no seu imaginário, sempre o concebiam de acordo com as suas necessidades. Essa concepção da divindade, de acordo com as necessidades humanas, acompanha a humanidade até hoje. Os nossos indígenas, ao tempo do descobrimento do Brasil, adoravam o trovão, o sol, as forças da natureza e tinham em Tupã o seu representante máximo.
Os povos antigos também adoravam os astros e o próprio povo romano, o Sol, com o nome de SOL INVICTO, e homenageava essa divindade durante três dias, com muita comida, bebida, orgia e troca de presentes, ou seja, do dia 23 a 25 de dezembro, sendo este o dia que lhe era consagrado e que, no ano 440, dC, Júlio I, bispo de Roma, o instituiu como o DIA DO NASCIMENTO DE JESUS.
Os gregos e os romanos tinham muitos deuses, Zeus era o principal para os gregos e exercia o seu poder sobre os demais. Os romanos reverenciavam,  como deus principal, Júpiter. Esses povos tinham deuses protetores para todas as atividades humanas; os homens sempre necessitaram da proteção sobrenatural.
Abraão, ao fixar-se na terra de Canaã, estabeleceu o monoteísmo. Os hebreus ou israelitas foram, desde a sua constituição como nação, um povo monoteísta, adorando um Deus Único, sob o nome de Jeová ou Javé.
Quando Moisés escreveu a gênese, o primeiro  livro da Bíblia (os livros), disse que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”. E os homens, a partir daí, passaram a conceber Deus como tendo a forma humana, imaginando-O, assim, à sua imagem e semelhança.
Na Capela Sistina, no Vaticano, um pintor famoso, Michelângelo, pintou o ato Divino da criação do homem retratando Deus como um velho de cabelos longos e barba brancos. E essa concepção de Deus varou os séculos chegando aos nossos dias, pelo menos até o dia 18 de abril de 1857,  quando Allan Kardec publicou em Paris, França, O Livro dos Espíritos.
 A pergunta número 1 desse livro diz o seguinte: Que é Deus?
A pergunta já nos informa que Deus não é uma pessoa. E os Espíritos respondem:
DEUS É A INTELIGÊNCIA SUPREMA, CAUSA PRIMEIRA DE TODAS AS COISAS.
Na questão 23, é perguntado aos Espíritos:
QUE É O ESPÍRITO?
E eles responderam:
O  princípio inteligente do Universo.
 JESUS, conforme as anotações de João 4.24, ensina: DEUS É ESPÍRITO, E IMPORTA QUE OS QUE O ADORAM O ADOREM EM ESPÍRITO E VERDADE.
Diante da informação de Jesus Deus é Espírito, logo, ao criar o homem, de conformidade com a revelação de Moisés à sua imagem e semelhança, fê-lo ESPÍRITO ENCARNADO também chamado alma vivente. O Espírito, em verdade, foi criado no Plano Espiritual e bem antes do corpo.
E efetivamente assim é. O espírito antes da encarnação encontra-se no Plano Espiritual, que é a sua pátria verdadeira. Ao nascer no plano carnal com um corpo físico torna-se homem (espírito encarnado).

quinta-feira, 14 de julho de 2011


                                    COMO VIVER

Maria Augusta de Souza/Psicografado por Expedito Leão



Não é bem a minha Intenção traçar normas, mas apenas sugerir algumas regras sobre o comportamento de um cristão.

Espero ser compreendida, pois quero tão-somente transmitir o que tenho aprendido e que sei poderá ser útil a muitos dos nossos irmãos que se encontram, ainda hoje, desorientados. Este é o meu desejo.

APRENDA A ESPERAR. A paciência educa o espírito e dá ao coração muita paz.

NÃO SE IRRITE NUNCA. A ira envenena o coração e, enche de espinhos o caminho da vida.

NÃO PERCA A FÉ. Confie em Deus, sempre. Ele vela por você.

NÃO MALDIGA AS TRIBULAÇÕES. Elas são o preço que você tem de pagar para a subida.

SEJA TRANQUILO. Dessa forma, você viverá longos dias sobre a Terra.

NÃO JULGUE O SEMELHANTE. Para que ele também não e julgue. Só Deus pode julgar, porque Ele, só Ele, conhece o intimo de cada um de nós.

NÃO ODEIE. O ódio, qual erva daninha, tudo devora, transformando o coração em pedra.

AME SEU SEMELHANTE. Desculpe as suas faltas. Ajude-o. Você gosta de ser desculpado e ajudado.

SEJA COMPREENSIVO. Em assim fazendo, somará amigos que o auxiliarão a suportar as dificuldades naturais próprias (lo dia-a-dia.

SEJA COM PASSIVO. A compaixão é filha da caridade e do amor.

DESCULPE SEMPRE a falta alheia. Só assim desculparão as suas.

PRATIQUE A CARIDADE. Esta é pérola mais cara ao Coração de Jesus.

ORE SEMPRE. É através da oração que Deus conversa com os homens. Mas ore com o coração. Deus abomina os hipócritas.

SEJA HUMILDE E MANSO DE CORAÇÃO. O Filho de Deus tudo tendo, nasceu, viveu e morreu pobre.

ACEITE A VIDA TAL COMO É. Nada reclame e nada receie. Você vencerá, se tiver fé. Cristo venceu o mundo.

NADA RECLAME. Não resolverá o seu problema. A aceitação é principio de vitória.

AME A DEUS. Lembre-se dc que Ele o amou sempre.

SUBMETA-SE À VONTADE DO PAI. Ele sabe o que é melhor para você.

PROCURE SER BOM. A bondade do coração faz bem à alma e a purifica sempre.

AJUDE OS QUE PRECISAREM DE AJUDA. Assim fazendo, será credor de igual ajuda.

NÃO FALE MAL DE OUTREM, ainda que falem de você. Ao mal se retribui com o bem. Lembre-se de que Jesus caluniado, difamado e injuriado, não caluniou, não difamou e não injuriou.

SIGA O CAMINHO DE JESUS. Depois do Calvàrio haverá a ressurreição e a ascensao.

TEM DÚVIDAS? ORE. ESTÁ CONFIANTE? ORE. A prece dissipa as dúvidas e fortalece a confiança.

SEU SEMELHANTE CAIU, AJUDE-O A LEVANTAR-SE. Tem fome, sacie-lhe a fome. Tem sede, dá-lhe de beber. E a sua alma se alimentará de bênçãos e amor.

HÁ EM CADA UM DE NÓS UMA SEDE ENORME DE JUSTIÇA. Seja justo com os outros. Eles também o serão com você.

O AMOR Ë O FERMENTO DA VIDA. Quanto mais forte, mais venturosa a alma de quem ama.

AMOR, CARIDADE, MANSIDÃO E HUMILDADE. Esta é a receita da sua salvação.

terça-feira, 12 de julho de 2011

SERVIR, SERVIR MUITO, SERVIR SEMPRE

Em 1998, AFONSO RUBEM NUNES, entidade espiritual amiga e protetora, se identificou como sendo meu guia espiritual e, pouco tempo depois, deixou-me uma mensagem, na qual dizia, com insistência, que eu deveria servir, servir muito, servir sempre, porque no serviço ao semelhante, eu encontraria respostas para as minhas angústias, e forças espirituais para prosseguir na luta, bem como, naturalmente, realizaria o meu progresso espiritual.

Aliás, a mensagem recebida não se destinava tão-somente a mim, mas era endereçada a todos indistintamente, porque, através do serviço ao semelhante, o homem cresce espiritualmente, vencendo os seus defeitos, aparando as suas imperfeições e, naturalmente, se tornando uma criatura melhor. Servindo, o homem vence o egoísmo e o orgulho, adquirindo uma postura nova diante da vida e diante do mundo. Passa a compreender melhor o seu semelhante e se, antes, o seu olhar era de censura, através da dedicação à causa do outro, passa a olhá-lo diferentemente, com mais ternura, mais compreensão, mais tolerância e fraternidade.

Servir, Servir muito, Servir sempre é a bandeira que essa entidade amiga nos oferece para fazermos dela também a nossa bandeira, o nosso lema. Servir, mas não basta fazê-lo; ser-nos-á necessário servir muito e, ainda assim, não nos será bastante, precisaremos fazê-lo sempre.

Quando iniciamos a nossa atividade fraterna, compreendendo, efetivamente, que o outro, mesmo quando muito diferente de nós, é nosso semelhante, procedendo do mesmo Deus Criador, que, segundo Jesus, é também o nosso Pai, e que, por força dessa revelação, somos, homens e mulheres do nosso plano de vida, irmãos, como irmãos também somos dos espíritos que habitam o outro lado da Vida, o chamado Plano Espiritual. A fraternidade é universal, abrangendo, naturalmente, a todo o Universo. Nos mundos evolvidos todos se ajudam, porque somente através da união de esforços e na execução das tarefas pertinentes a cada um é que se poderá conseguir e conservar a harmonia existente nesses orbes.

É verdade que os homens da Terra, em sua maioria, ainda não entenderam e, certamente, não aceitaram essa irmandade e, por isso, vivemos todos como se fôssemos adversários uns dos outros, para não dizermos inimigos. E, naturalmente, porque a maioria cultiva o seu egoísmo e alimenta o seu orgulho, servir desinteressadamente ainda lhe é impossível.

Entretanto, somente servindo ao outro encontraremos a resposta para as nossas dúvidas e a solução para os nossos problemas. O ódio alimenta o ódio. A indiferença alimenta a indiferença e faz surgir o ódio. Logo, somente o serviço desinteressado e amigo poderá fazer nascer nos corações humanos o verdadeiro sentimento de fraternidade. Cada um de nós deverá ser um elo nessa corrente do serviço fraterno. A existência de homens maus e insensíveis no nosso mundo é porque os bons estão se omitindo. E enquanto os bons não compreenderem que somente a eles cabe a missão de erradicar da Terra o mal, este continuará a existir produzindo os homens maus.

Quem não recebe amor não terá amor para dar. Somos seres em evolução, todos nós os que nos encontramos na Terra, e com acentuado atraso evolutivo, daí necessitarmos todos da ajuda da educação, e esta só poderá ser ministrada com compreensão, paciência, tolerância e muito amor. Quem já aprendeu a amar entende, e atende as necessidades alheias.

SERVIR, SERVIR MUITO, SERVIR SEMPRE é a nova bandeira que a humanidade deverá empunhar neste novo século deste novo milênio. A humanidade sofre, não apenas os habitantes dos países pobres, mas também sofrem os dos ricos, superdesenvolvidos. A carência humana não se circunscreve apenas às materiais. As espirituais se alastram por todas as nações e por todas as classes sociais. SERVIR deverá ser o nosso lema; SERVIR MUITO deverá ser a nossa atividade constante e SERVIR SEMPRE, a nossa maneira de viver e de ser.

À medida que formos servindo, e é bom que o façamos desinteressadamente, iremos sentir dentro de nós uma paz infinda e uma alegria imensa, acompanhadas de uma sensação de verdadeira humildade, ao ponto de compreendermos a mensagem paulina “Não sou eu quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim”, porque Jesus é, de fato, aquele que serve, daí esse lema afonsino ser uma inspiração de Jesus, o Cristo de Deus.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

“E CONHECEREIS A VERDADE,
E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.
Jesus  - Jô.8,32

                  Jesus afirmou que o conhecimento da verdade nos faria livres.
                  E, em uma análise, ainda que superficial, nós percebemos a existência de muitas verdades, a saber: a verdade científica comum a todas as ciências, a verdade política, a verdade sócio-econômica, a verdade filosófica, a verdade coletiva, a verdade individual,etc.
                  A verdade médica-científica, por exemplo, vem  combatendo um grande número de enfermidades e prolongando a vida do homem. O avanço científico e tecnológico trouxe para a humanidade um conforto impar em toda a história da Terra.
                  A verdade filosófica sempre se antecipou à científica. Ela se preocupou com a descoberta da verdade científica de todas as ciências e, com idêntico interesse, com a Verdade Divina. A Teosofia ou a Teologia buscava a essência divina a fim de entender Deus em Espírito e Verdade.
                   Mas  a  verdade que Jesus se referiu  trouxe ao homem uma nova perspectiva de vida e a possibilidade da verdadeira libertação e não, apenas, a libertação de suas necessidades materiais e físicas, porque esta liberdade é relativa, pois se, de um lado, ela livra o homem de suas mazelas e lhe fornece um melhor padrão de vida, por outro, ela o prende à necessidade, no caso do conforto, a cada vez adquirir mais e mais, tornando-se, dessa forma, um prisioneiro da sociedade de consumo; e para a melhoria e conservação da saúde, ao uso sempre crescente de medicamentos e cada vez mais sofisticados ou, então, a cirurgias, de técnicas sempre mais desenvolvidas e, conseqüentemente, mais avançadas.
                   A que Jesus se referiu trará ao homem a libertação do Espírito.
                  A liberdade do ponto de vista material é, na verdade, uma pseuda liberdade. O homem se liberta de uma ou de várias enfermidades ou até mesmo de todas, mas, graças à sua natureza humanimal ele, com certeza, morrerá, porque a morte é uma fatalidade à qual ninguém conseguirá escapar.
                  Jesus referia-se a um outro tipo de liberdade, ou seja, a  do espírito que, em sua evolução e mediante o seu próprio esforço,  irá, no correr dos séculos e milênios, livrar-se de suas imperfeições, defeitos, vícios ou más inclinações, purificando-se, enfim.
                  Ora, para que o homem possa realizar essa transformação, ele terá, naturalmente, de conhecer a verdade de ser um espírito encarnado, portador, portanto, de duas naturezas: a divina (já que procede do Deus criador) e a humana, oriunda de sua natureza biológica. Conhecendo esta verdade, passará a buscar o conhecimento espiritual que lhe propiciará o crescimento moral-espiritual. Ora, se a verdade científica lhe proporciona uma vida material melhor, obviamente, a espiritual lhe fornecerá recurso para livrar-se de seus defeitos, vícios e imperfeições, outorgando-lhe uma vida espiritual tranqüila e feliz, mesmo estando encarnado.
                  A criatura humana continua presa à vida material, exatamente por desconhecer a sua condição de espírito. Conhecesse-a, e ele iria buscar, com mais intensidade, os valores do espírito por serem imperecíveis e capazes de atender às necessidades de sua alma imortal.
                  “Conhecereis a verdade que sois um espírito sob as vestes da carne e, quando tiveres conhecimento dela, a vossa avaliação de valores será totalmente refeita”. Este era, sem qualquer dúvida, o pensamento de Jesus ao sentenciar a libertação do Espírito através do conhecimento da verdade.
                  Que a ciência continue a descobrir novas verdades, mas que a nossa visão se abra cada vez mais para não vermos tão-somente o lado material do progresso, mas que possamos, ver, na verdade científica, a Verdade Divina. Tudo procede do Pai Criador, causa primária de todas as coisas.
                   O estudo do Espiritismo como filosofia e ciência nos leva ao conhecimento da Moral Cristã e esse conhecimento nos libertará, efetivamente. As palavras de Jesus são, de fato, verdade e vida. No entanto, precisam ser entendidas, e o Espiritismo nos fornece os recursos capazes de nos propiciar o verdadeiro conhecimento dessas palavras. Busquemos conhecer o pensamento de Jesus tão bem expresso em seus ensinamentos e, certamente, conheceremos a verdade, e ela nos libertará, levando-nos a erradicar de nós os defeitos. os vícios, as imperfeições e as más inclinações, que são, verdadeiramente, as causas das nossas dores e sofrimentos. Libertos dos defeitos e imperfeições seremos criaturas livres e, naturalmente, felizes.  
GRANJEAI AMIGOS COM AS RIQUEZAS
DA INJUSTIÇA: PARA QUE, QUANDO  
ESTAS VOS FALTAREM, VOS RECEBAM ELES
NOS TABERNÁCULOS ETERNOS.
(Lc.16:9)
                  Jesus contou a parábola do mordomo infiel, que foi chamado a prestar contas de sua administração e, preocupadíssimo, chamou os devedores do seu senhor e foi conseguindo, mediante concessão, documentos comprobatórios das dívidas de cada um, naturalmente com abatimento. O senhor quando soube louvou a previdência e providência daquele servo.
                  Jesus, ao término da parábola, sentenciou: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça...
                    Para entendermos as parábolas de Jesus, precisaremos   entender que os seus ensinos são sempre de ordem exclusivamente  espiritual, mesmo quando a pequena estória ou parábola narre um acontecimento corriqueiro do dia-a-dia do povo.
                  O fecho da parábola do mordomo infiel é uma dessas lições de cunho exclusivamente espiritual.
                  Quando Deus, o Criador Supremo, criou o nosso Mundo, nele colocou todos os recursos que a humanidade iria precisar ao longo do tempo, para a sua evolução ou progresso moral-espiritual.
                  Criou os espíritos simples e ignorantes, mas perfectíveis, isto é, com a capacidade de buscar o progresso espiritual através do próprio esforço, valendo-se de todos os bens ou valores materiais e espirituais que Deus colocou na Terra. Esses recursos não foram colocados ao nosso alcance porque os merecêssemos, mas porque deles precisaríamos para a nossa evolução e ascensão.
                  No mundo de provas e expiações em que nos encontramos, a Lei do Merecimento, de um modo geral, só funciona para nós no seu aspecto negativo, conjugada com a Lei de Ação e Reação, que, também, por sua vez, só opera em nós em sua negatividade: “a cada um de acordo com a sua obra”. Como a nossa obra é, no conjunto, negativa, negativo será o recebimento que colheremos.
                  Assim, o nascimento na abastança é uma prova e não merecimento, como também é prova o nascimento na pobreza. Apenas aqueles que se encontram na miséria estão dentro do princípio: “a cada um de acordo com a sua obra”; são os que faliram em suas provas: a da riqueza ou a da pobreza.
                  Os bens, recursos, oportunidades que nos são oferecidos por Deus, são-nos dados segundo a Sua Misericórdia e não por nosso merecimento: são, portanto, riquezas injustas, já que, por justiça, outro seria o nosso recebimento.
                  Utilizemos esses recursos, bens ou oportunidades que Deus nos dispensou, fazendo o bem, ou seja, trabalhando a benefício da nossa comunidade e do nosso semelhante, dispensando-lhe o tratamento que o auxilie no seu crescimento moral-espiritual. Sejamos amigos sinceros, leais e fraternos, dispensando a cada um o cuidado e a assistência, segundo as suas necessidades. Ajudando a cada um no seu crescimento e fortalecimento diante da vida, dispensando-lhe os recursos que nos foram emprestados por Deus, estaremos, com certeza, granjeando amigos com as riquezas, que não são nossas, portanto, injustas.
                  Quando a morte nos ceifar a vida biológica, e com ela perdermos a posse de todos os bens ou riquezas que se encontravam em nosso poder (o que é da Terra fica na Terra), certamente que, ao regressarmos ao Mundo Espiritual, seremos recebidos pelos amigos que fizemos enquanto no Plano Carnal . Agora, sim, o “a cada um de acordo com a sua obra” nos apresentará o seu lado positivo, pois receberemos, de volta, todo o bem que fizemos e os amigos, conquistados com as riquezas injustas, nos receberão de braços abertos, cantando loas à nossa pessoa.
                  Lutemos contra o nosso egoísmo. Aprendamos a pensar nos outros antes de pensar em nós. Os problemas humanos não deixarão de existir enquanto a nossa preocupação for, exclusivamente, em resolver, tão-somente, os nossos problemas, mas, ao contrário, os problemas do mundo deixarão de ser, quando todos participarmos da solução dos problemas de todos. Quando a fraternidade reinar  na Terra, o Mundo de Provas e Expiações cederá o seu lugar ao Mundo de Regeneração, e haverá paz sobre a Terra, cumprindo-se a profecia Angélica de há 2.000 anos: Paz na Terra! Boa vontade para com os homens!”   

O CEGO DE JERICÓ

                   Dos acontecimentos ocorridos há dois mil anos e registrados no Novo Testamento, o ocorrido com  Bartimeu, o cego de Jericó, é o mais rico em ensinamento que se projetou e se projeta no tempo trazendo luzes, ainda hoje, para nós os que nos encontramos na carne, no presente momento. Aliás, o ensinamento transcende a vida e também se faz presente naqueles que já reingressaram no Mundo Maior. O ensinamento evangélico é de todos os tempos e para encarnados e desencarnados, ou seja, , para “vivos” e “mortos”, segundo a carne.
                  Bartimeu, palavra composta do prefixo bar, que quer dizer filho de, e Timeu, nome do progenitor do cego. Com o tempo, o cego ficou conhecido como sendo BARTIMEU, passando este a ser o seu nome.
                  Bartimeu estava sentado à beira da estrada que liga Jerusalém a Jericó.
                 Jerusalém era – e ainda é – a Cidade Santa dos Judeus, e JERICÓ era, naquele tempo, uma cidade rica , abrigando um próspero comércio e casas de diversão. A Jerusalém iam os judeus de todas as partes da Terra, pelo menos, uma vez por ano, para visitar o Templo religioso que, originariamente, havia sido construído pelo rei Salomão – o mais sábio de Israel. O Templo dessa época não era mais o mesmo, pois o construído pelo rei Salomão havia sido destruído em uma das muitas invasões sofridas pelos hebreus ou israelitas. E, naturalmente, foi reconstruído após cada destruição. A última reconstrução foi ordenada pelo rei Herodes, que não era judeu , hebreu ou israelita, mas idumeu , procedia da Iduméia ou distrito de Edom, sua Terra de origem, e que assumira o trono judeu, sucedendo a seu pai Antipater, que fora assassinado. Para ser melhor aceito pelos judeus, casou-se com Mariamne, que era judia, e mandou reconstruir as muralhas do Templo e ampliar-lhe as instalações, realizando uma edificação suntuosa. O Templo era um lugar Santo, onde habitava o Santo dos Santos, Jeová.
                  Além do Templo de Jerusalém existiam noutras cidades as Sinagogas, que eram Templos religiosos, onde se estudavam a Tora e o Talmude. Aos sábados, costumeiramente, se fazia a leitura de uma página sagrada e se estudavam as profecias. Eram freqüentadas pelo povo e qualquer pessoa do povo podia fazer a leitura de um texto sagrado.
                  Em Jerusalém existiam os Fariseus, que eram ricos,  cultos e poderosos e, naturalmente, orgulhosos; não se misturavam com o povo. Havia também os Doutores da Lei, que podiam ser equiparados aos advogados de hoje, os escribas, que estavam encarregados de copiarem os pergaminhos da Torá (os cinco livros de Moisés) e os outros livros do Talmude (Antigo Testamento: conjunto de todos os livros) e os Sacerdotes, que estavam encarregados de zelarem pelo Templo e da prática do Culto. E, naturalmente, existia, no outro lado, a plebe, o povo, na sua maioria, inculto, analfabeto e ainda os miseráveis. Este era o ambiente da Judéia, de modo geral, e de Jerusalém, de modo particular.
                  Os fariseus, doutores da lei, escribas e sacerdotes conheciam as profecias. Estudavam-nas, religiosa e insistentemente. Conheciam as que anunciavam a vinda do Messias, e aguardavam com ansiedade o cumprimento dessa profecia, pois a Judéia se encontrava sob o jugo romano e queriam se libertar dele, com a ajuda de Messias prometido.Este deveria vir à frente de um exército numeroso e dominariam os romanos, e os judeus de dominados passariam à condição de dominadores. Não compreendiam que o Messias ou Cristo viria para libertar o povo dos seus vícios, defeitos e imperfeições.
                  Bartimeu, o cego de Jericó, era, naturalmente, analfabeto e, sendo, ainda, pobre, vivia da caridade pública. Era um esmoler. Naturalmente, não sabia ler. Não existia o alfabeto Braille. Sendo cego desenvolveu os sentidos da audição e do tato. E ouvindo as leituras proféticas na Sinagoga e o que dizia o povo nas ruas, ia tirando as suas conclusões a respeito de Jesus.
                  Ele estava “sentado à beira da estrada que ligava Jerusalém a Jericó, e quando Jesus voltava de Jericó, com grande acompanhamento e todos falando ao mesmo tempo, pode ele perceber que algo inusitado estava acontecendo e, então, perguntou o que se passava e lhe responderam    : é Jesus de Nazaré! Diante dessa resposta pôs-se a gritar: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. E os que se encontravam perto dele, lhe diziam, cala-te. E ele gritava ainda mais alto: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. E novamente lhe diziam para calar-se, porque estava incomodando. E ele insistia, gritando mais forte ainda: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. Jesus, ouvindo o seu chamamento, manda que o busquem. E o mensageiro, chegando perto dele, lhe diz: levanta-te depressa que Ele te chama. Bartimeu, incontinente, retira a sua capa, levanta-se rapidamente e vai ter com Jesus. E Este lhe diz: que queres que Eu te faça? Responde-lhe ele, “Que eu veja”. E Jesus lhe diz: Veja. E ele viu e seguiu a Jesus pelo Caminho”. Este é o registro evangélico desse acontecimento de há dois mil anos.
                  Os fariseus, doutores da lei, escribas e sacerdotes conheciam as profecias, sabendo que elas revelavam que o Messias seria da descendência de Davi e, por isto, seria chamado de “Filho de Davi” e, não obstante, não viram em Jesus o cumprimento das profecias, apesar de saberem diretamente e por intermédio de seus espiões de tudo o que Ele, Jesus, estava ensinando, as curas que estava fazendo e, portanto, o bem que Ele estava espalhando. Eles tinham olhos de ver, e não viam; ouvidos de ouvir, e não ouviam. Bartimeu, ao contrário, era cego fisicamente e, no entanto, fora capaz de VER que Jesus era Filho de Davi. Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que estava passando e ele, entretanto, deduziu e, imediatamente, concluiu, que era o Messias, o Filho de Davi quem estava passando pela estrada naquele momento. O Cego de Jericó tinha de olhos de ver, porque nos seus anos de cegueira havia desenvolvido a sua visão espiritual. Via os que os outros não viam e tendo, também, desenvolvido a sua audição psíquica, fora capaz de ouvir o que os outros, nem sequer pressentiram. Bartimeu, cego, tinha olhos de ver e ouvidos de ouvir.
                 Quando lhe disseram que Jesus o chamava, ele imediatamente,  se despiu de sua capa, que lhe era uma indumentária pesada, mas de  grande importância, pois o abrigava nas noites frias, protegendo-o, inclusive, nos dias chuvosos. Mas ela era um peso em seus ombros e o prejudicaria nos movimentos para levantar-se e ele tinha de fazê-lo rapidamente. E lançando fora de si a capa, levantou-se rapidamente e foi ter com Jesus.
                  Ao se colocar diante de Jesus, ouviu deste, “o que queres que Eu te faça?” E ele imediatamente respondeu que eu veja.
                  Quantos de nós invocamos Jesus; se atendidos e perguntados Por Ele : “Que queres que Eu te faça?” não saberemos responder, porque, na maioria das vezes, nós O chamamos em vão, isto é, não sabemos o que, efetivamente, queremos. Não foi o caso de Bartimeu. Ele ao evocar o nome do Justo, já havia analisado muito bem a sua vida. Sabia que, como cego, continuaria a receber o auxílio das demais pessoas, pois não tinha condições físicas para o trabalho. Naquele tempo, um cego não tinha condições de exercer profissão alguma. Adquirindo a visão, não mais receberia a ajuda do povo. Teria de trabalhar para prover as suas necessidades. E não obstante isto, ele respondeu presto: que eu veja. E Jesus, imediatamente, o atendeu, dizendo-lhe: veja. E ele viu e seguiu a Jesus pelo Caminho, isto é, ele se tornou um seguidor de Jesus, um novo discípulo.
                  E nós, quando nos tornaremos um novo discípulo? Quando tiraremos de nós a capa do comodismo, do indiferentismo, do orgulho, do egoísmo, da inveja, do ciúme, da intolerância, das nossas tendências e pendores ruins? Quando?
                  Aprendamos com Bartimeu a desenvolver a nossa visão e audição psíquicas, para sermos capazes de ver e de ouvir com a nossa alma. É tempo ainda. O tempo é hoje e o momento é agora. Somos espíritos imortais, logo, busquemos, primeiramente, os valores que enriqueçam a nossa alma, e serão imperecíveis como indestrutível é o nosso espírito..Que os nossos olhos se abram para a luz e os nossos ouvidos se tornem capazes de ouvir e de sentir a sinfonia do Amor Divino.              

terça-feira, 5 de julho de 2011

RECORDAÇÕES

Sou Expedito Luiz Leão, filho de Victor Luiz Alves Leão e Luíza de Souza Leão. Meu pai era pedreiro e minha mãe, do lar.
Nasci em Viçosa, na Av. Santa Rita, em uma casa situada no lote onde hoje é o prédio nº 209, às 17:OO h, no momento exato em que passava a procissão de Santo Expedito. Daí o meu nome. Era o dia 19 de abril de 1925.
Nasci com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Estava roxo e asfixiado e o médico, que assistia a minha mãe, prontamente me libertou da asfixia e me salvou a vida!!! Esta informação foi-me dada por minha mãe, naturalmente.
Quando comecei a chorar clamando pelo alimento, minha mãe não mo pode dar: não tinha leite para oferecer. Passou o dedo na manteiga e colocou-a nos meus lábios.
Uma vizinha e sua amiga, em seguida, também deu à luz a mais um filho e passou a amamentar-me.
Assim foi a minha entrada nesta vida: os benfeitores já se faziam presentes desde o começo!
Com um mês de vida, mudamo-nos para Visconde do Rio Branco onde permaneci até 1934, quando retornei a Viçosa.
Matriculei-me no Grupo Escolar “Cel. Antônio da Silva Bernardes”, que estava localizado em uma casa que existia no local onde hoje se encontra o prédio da Caixa Econômica Federal, para a continuação do curso primário iniciado na cidade de Rio Branco, no Grupo Escolar “Dr. Carlos Soares” localizado na Praça 28 de Setembro.
Nos anos de 1936 e 1937, confeccionei papagaios (pipas) para vender. Vendi balas no Cinema Odeon, localizado na Praça Silviano Brandão, pipoca nas portas dos circos e jornais para conseguir recursos que me possibilitassem adquirir os jornais e revistas, entre os quais o Suplemento Juvenil, depois Gibi, que editavam as estórias, Jim das Selvas, Flash Gordan, Fantasma, Mandrake, Jeff e Mutt, Tarzan, Dick Tracy etc. Algumas noites, no final da Av. Santa Rita próximo do lugar onde se encontra com a Rua Gomes Barbosa, costumava descascar e debulhar milho e nalgumas outras noites quebrava pedra para uso em alicerce de construções, ganhando os meus trocados.
Sempre gostei de ler. E era com essas pequenas atividades que conseguia os meus recursos para aquisição do meu material de leitura, revistas infantis e livros.
Em Viçosa, permaneci até 1938, quando retornei a Rio Branco, lá permanecendo até 30 de novembro de 1944, quando me transferi, nessa data, para a cidade do Rio de Janeiro, então Capital da República, lá residindo por 24 anos.
Em Visconde do Rio Branco, certo dia, no ano de 1933, consegui um caixote e dele fiz uma caixa de engraxate e saí em busca de fregueses para, engraxando sapatos, adquirir recursos financeiros que pudessem sustentar minhas duas paixões: comprar minhas revistas de estórias infantis e contos policiais e ir ao cinema. Nos dias de festas religiosas, postava-me nas entradas da cidade, acesso natural dos moradores da zona rural que, nesses dias, vinham à cidade para participarem das festividades religiosas, e engraxava os sapatos dos que se interessavam.
Também em Visconde do Rio Branco, fiz o curso ginasial no Ginásio Rio Branco, do qual eram proprietários e diretores o Dr. Antônio Pedro Braga e o Dr. Paulo Infante Vieira. Graças à generosidade do Dr. Antônio, pude cursar o ginásio, pois, como criança pobre, não o poderia fazer.
Em fins de 1938, comecei a frequentar as aulas de preparação para o exame de admissão, que eram ministradas no Salão Nobre do Ginásio pelo Professor Dioguinho.
Lembro-me bem: possuía um par de sapatos que se encontrava em péssimo estado, com o solado praticamente solto. Por isso, compareci à primeira aula descalço. O professor, mui discreta e reservadamente me disse que eu não podia ir descalço às aulas. Passei, então, a levar os sapatos enrolados em jornal até a entrada da escola, e lá, desenrolando o embrulho, tirava os sapatos e calçava-os, caminhando devagarzinho até a sala de aula.
Meu pai se encontrava trabalhando em Tocantins, MG, e havia já algum tempo que não dava notícias. Certo dia, porém, retornou e pude então mandar consertar os sapatos. O Sr. Amador, que zelava pelo jardim da praça principal e que, nas horas vagas também exercia a profissão de sapateiro, fez o reparo e ai eu pude voltar a calçar e andar tranquilamente. Entretanto, até os 19 anos andei descalço a maior parte do tempo, por não ter recursos para a aquisição regular de calçados.
Ainda no ginásio, adquiri um par de tênis e passei a frequentar as aulas com ele. Alguns dias de uso constante, coitados dos meus colegas!
Terminei o curso ginasial em 1942.
Nesse ano, no entanto, surgiram-me sérias dificuldades. Dr. Antônio Pedro Braga e Dr. Paulo Infante Vieira venderam o ginásio para o Prof. J. Barroso Júnior, egresso de Viçosa.
A partir daí, tive de trabalhar na secretaria da escola, ajudando a secretária, Srta. Maria Brígida Flores. Além do serviço interno, a minha atividade consistia principalmente em levar às casas dos alunos os boletins mensais com os resultados das avaliações dos trabalhos escolares do mês, inclusive as notas das provas parciais.
Certo dia, o diretor, Prof. J. Barroso Júnior, teve de ausentar-se, deixando em seu lugar o Prof. Boanerges de Castro Barbosa.
De acordo com o regulamento da escola, no que dizia respeito à secretaria, a responsável era a Secretária. Em um determinado dia, tive necessidade de faltar ao trabalho. Solicitei a dispensa à Secretária, que me autorizou a ausência. Não podia imaginar que a dispensa desencadearia uma tempestade com raios e trovões, vindo a acarretar a cassação do meu direito de terminar o curso como bolsista. O Prof. Boanerges sentira-se hierarquicamente desprestigiado, e não fora esta a minha intenção. Era já o final do ano de 1942.
Certa tarde, os meus colegas compareceram à minha residência, quase todos, e me ofereceram ajuda, dizendo-me o seguinte: “Expedito, nossos pais nos dão uma pequena mesada, e nós resolvemos abrir mão dela, se você aceitar, pagando o necessário para que você termine o curso conosco”. Aquele gesto me tocou as fibras do coração. Muito embora sensibilizado e emocionado, não aceitei o oferecimento, não por orgulho, mas por entender que não devia sacrificar os meus colegas, transferindo-lhes a solução do problema que desavisadamente criara. Ficou, no entanto, a gratidão que se renovou nesses anos todos da minha vida, e continuará a fazê-lo pela existência afora.
Alguns dias após, uma menina, também aluna do Ginásio Rio Branco e bolsista da Prefeitura, informou à minha mãe que ia mudar-se de Visconde do Rio Branco, e minha mãe certamente falou-lhe a meu respeito e ela prometeu sugerir que fosse transferida para mim a sua bolsa de estudos. Com certeza, a jovenzinha e, sobretudo, a minha mãe foram um instrumento de Deus em meu socorro. Realizada a transferência da bolsa, voltei à escola, apesar de três provas finais já terem sido realizadas. Consegui fazê-las, acompanhando a turma. E assim terminei os meus estudos ginasiais, fazendo parte da primeira turma que concluíra o curso com 04 anos.
Nesse ano, outra turma terminaria com 05 anos. É que entrara em vigor a reforma do ensino promovida pelo Ministro da Educação, Dr. Gustavo Capanema. Esse 01 ano foi acrescido ao curso complementar de 2 anos, que, na época, permitia o acesso direto às Escolas Superiores, criando-se, a partir de então, o curso clássico ou científico (colegial) desmembrado das escolas superiores e obrigatório para acesso ao ensino superior, mediante vestibular.
Visconde do Rio Branco, como ocorreu nas demais cidades do interior, não implantou, de pronto, os cursos clássico e científico. Os jovens, com recursos financeiros, demandaram às capitais, a fim de continuarem os estudos preparatórios ao ingresso às escolas superiores.
Sem condições de fazê-lo, interrompi os meus estudos, só vindo a reiniciá-lo 14 anos mais tarde.
Com relação à minha turma de ginásio, cabe-me ainda a seguinte lembrança: em 1992, sob a inspiração, preparação e organização do colega de 1942 e amigo de sempre, Geraldo de Oliveira, reuniram-se os ex – alunos, no dia preestabelecido, sob a presidência do antigo diretor do Ginásio Rio Branco, Dr. Antônio Pedro Braga, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que nos entregou, um a um, um diploma expedido pelo Ginásio Rio Branco, com o seu símbolo, comemorando aquele encontro dos “Adolescentes de 1942”, assim, o Geraldo cognominara os colegas do passado que se reuniam naquele momento.
Tive, nessa noite memorável, o ensejo de reparar um imperdoável esquecimento. Será que reparei mesmo? Coube-me, para minha felicidade, o ensejo de saudar ao Dr. Antônio Pedro Braga e, nesse momento, pude externar-lhe, de público, a minha gratidão que, silente, morava comigo, por fazer parte de uma época das mais importantes de minha vida: o curso ginasial fora o alicerce sobre o qual eu construí tudo o mais que hoje faz parte da minha cultura e da minha existência.
Em 1999, enquanto eram tomadas as providências para o encontro comemorativo das BODAS DE OURO da conclusão do Curso Ginasial, também como ato preparatório, graças à gentileza do diretor do jornal Visconde do Rio Branco, jornalista Kleber Silva Lima, foi publicado o seguinte artigo:

Os adolescentes de 1942
Fecho os olhos e, atiçando a memória, volto no tempo nas asas da saudade.
Vejo-me em 1939, no velho casarão da Rua do Rosário que, entre suas paredes, guardava a recordação da visita do Imperador Dom Pedro II.
Estávamos lá, as crianças de 1939, para iniciarmos uma guerra santa contra a nossa ignorância. Essa nossa batalha seria dirigida por Dr. Antônio Pedro Braga, secundado por Dr. Paulo Infante Vieira, comandando o seu exército aguerrido e preparado para o combate tenaz e persistente à nossa inciência.
E, a pouco e pouco, fomos sendo apresentados a cada um deles, D. Antonieta Braga Vieira que, pacientemente, nos ensinava Francês e Desenho, Dr. José Teixeira Costa, Matemática e Latim, Dr. Benjamin Braga Filho, História, Dr. Diogo Braga Filho e Dr. Boanerges C. Barbosa, Ciências, Dr. Gastão de Almeida, Português, Dr. Gerardo Reis, Inglês, Dr. Antônio Pedro Braga, Geografia.
À medida que os dias iam passando, crescia entre nós, do Arnaud ao William, um sentimento fraterno de verdadeira amizade que o tempo, longe de destruir, mais fez aumentar.
O ano de 1939 deixaria em cada um de nós não apenas a marca do início de nosso curso ginasial, mas também, a da eclosão da II Guerra Mundial, que ensangüentaria os solos da Europa, da África e da Ásia, numa demonstração da capacidade destruidora do homem. E essa ferocidade da besta humana acontecia ou se iniciava na Europa, o berço da civilização. Mesmo distantes do teatro bélico, acompanhávamos o desenvolvimento dos combates e das invasões e tomávamos partido, naturalmente conduzidos pelas simpatias que as nações envolvidas nos despertavam. Deixávamo-nos envolver pela voz de Heron Dominguez, do Repórter Esso – o primeiro a dar as últimas (seu slogan).
A nossa vida de então se realizava entre a sala de aula, o pátio, onde jogávamos bola e a gameleira, onde nadávamos. Quantas vezes, a natação substituíra a aula!
1939, 1940, 1941 e, por fim, 1942. A nossa batalha chegava a seu termo. Seríamos a primeira turma a encerrar o ginásio com quatro anos. Nesse ano, duas turmas, uma com quatro e outra, com cinco anos de estudos, terminavam seus estudos ginasiais. A reforma do ensino determinada pela Lei Gustavo Capanema tirava do curso ginasial um ano que seria acrescentado aos dois do Curso Preparatório existentes nas Escolas Superiores, a fim de formar os cursos científico e clássico de três anos.
Essa reforma estabelecia a obrigatoriedade da freqüência às práticas de Educação Física. E a nossa turma era tão unida que, em sua maioria, foi obrigada a fazer segunda época de todas as disciplinas. Os adolescentes de 1942 – a maioria – terminaram o ginásio em janeiro de 1943, se não me falha a memória. Éramos realmente unidos, alguns mais que outros. Brincávamos, mas estudávamos também.
Em 1942, Dr. Antônio vendeu o Ginásio Rio Branco a J. Barroso Júnior. Sentimos muito a mudança da direção. Élzio Costa – o João Batista -, expressando o nosso sentimento fez uma adaptação da letra de Amélia, de Ataulfo Alves, em homenagem ao Dr. Antônio: “O Dr. Antônio não tem a menor vaidade, o Dr. Antônio é que era diretor de verdade”...
Eu, pessoalmente, devo muito a Dr. Antônio Pedro Braga. Não fora a sua magnanimidade d’alma e bondade de coração, eu não teria realizado os meus estudos ginasiais. É por isso que a homenagem que o Élzio lhe prestou calou fundo em minha alma e, na oportunidade, pude também fazê-la minha.
Retorno a 1992. Será bom, muito bom, reencontrarmo-nos, os adolescentes de 1942, marcados pelo tempo em nossa roupagem física, mas ainda jovens na alma, apesar de tudo. O tempo marcou-nos o corpo, mas não pôde fazer o mesmo com a alma que ainda sonha e recorda e, na reminiscência, vive uma segunda e muitas vezes a vida que já foi vivida.

Em 1943, inscrevi-me no Tiro de Guerra 65, sob o comando do então Sargento Antônio Alves da Silva, conhecido pela população como Sargento Alves, figura admirável de homem e de militar que exercia a autoridade sem autoritarismo. E, em 1993, sob a direção do colega reservista, Luiz Gonzaga Pereira de Barros, reunimo-nos, os atiradores de 1943, no mesmo local onde um ano antes havíamos estado comemorando o cinqüentenário de formatura ginasiana, agora para a comemoração dos nossos 50 anos de reservistas, recebendo um certificado passado pelo comando militar do Exército de Juiz de Fora.  
Ainda em 1943, a nossa vida, minha e de meus pais, sofreria mais um revés. Meu pai foi vítima de um AVC e, naturalmente, não tinha condições de trabalhar. Morávamos nesse tempo em um cômodo existente no quintal da casa de um seu amigo, em conseqüência de uma fase aziaga de nossas vidas. Meu pai, com o derrame, perdera a fala e os movimentos do lado direito, braço e perna. Não possuíamos nenhuma economia. Foi uma fase difícil. Desde que concluíra o ginásio, estava procurando emprego, e não o encontrava. Felizmente, no entanto, certamente por inspiração divina, procurei o tintureiro Luiz Moura e ele me aceitou como auxiliar para fazer a apanha de roupas para lavar, a entrega das mesmas, cobrança e inclusive passar ternos, que tive de aprender, pagando-me pelo serviço Cr$20,00 (vinte cruzeiros), por semana. A moeda cruzeiro viera substituir os mil réis, em 1942. A inflação monetária é uma velha companheira dos brasileiros, que ainda não aprenderam a exorcizá-la definitivamente. É que no Brasil “todo mundo quer viver às custas do estado, esquecendo-se de que o estado vive às custas de todo mundo”, conforme o pensamento de um economista e pensador europeu, do século XIX.
Com esse emprego provisório, pude colaborar com a economia domestica. Algum tempo depois, mudamo-nos para um galpão existente em uma rua atrás da Igreja Matriz, no centro da cidade, cedido graciosamente por uma amiga de minha mãe, ligadas pelos laços da Religião Católica, que ambas professavam.
A minha atividade de Atirador continuava.
Por ocasião da chamada identificação do atirador, pouco antes da vinda do Tenente Identificador, fomos mandados ao fotógrafo da cidade para as fotografias necessárias. Enquanto aguardávamos a vez de sermos fotografados, alguns companheiros começaram a brincar com a toalha que revestia a mesa da sala de espera do fotógrafo, uma peça de bordado finamente elaborada, jogando-a para o alto. Encontrava-me do lado de fora. E a brincadeira de mau gosto dos colegas acabou por produzir dano material na peça.
Na noite seguinte, quando estávamos na sede para a aula instrutória que ocorria às noites, logo no seu início, o Sargento me fez a seguinte pergunta: “7, quem foi que danificou a toalha de mesa da sala do fotógrafo”? Respondi-lhe de pronto: não sei. Fez a mesma pergunta a outros atiradores que responderam a mesma coisa. Em seguida, o Sargento, visivelmente aborrecido, declarou o seguinte: “vou perguntar mais uma vez, e se, não obtiver a resposta que eu quero ouvir, eu expulsarei o atirador”. E novamente me dirigiu a pergunta, obtendo a mesma resposta. Incontinente, expulsou-me. Fiz a continência de praxe, pedi licença para retirar-me, fui para minha casa, troquei de roupa, e virei paisana e fui passear no jardim da praça principal, ponto de encontro dos rio-branquenses.
A sede do Tiro de Guerra 65 era numa casa ao lado da Igreja Matriz. Na manhã seguinte, quando já me encontrava na tinturaria, veio um mensageiro, um atirador, e me disse: vem, o Sargento o está chamando. Incontinente, fui. Em lá chegando, disse o Sargento: 7, já descobri os nomes dos responsáveis. Você está reincorporado ao grupo.
Há ainda um registro que julgo importante. Uma manhã, logo na abertura da instrução militar, a turma perfilada, o Sargento determinou que se cantasse o Hino Nacional, e os atiradores obedeceram, todos, menos eu, e aí grita o Sargento: “7, cante”. Eu comecei. Alguns versos depois, gritou ele, de novo: “7, cale a boca”. Descobri ai, que a melhor homenagem que posso prestar civicamente ao hino nacional é ficando calado.
Em 1944, fiz um concurso para ingresso como funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais S/A – agência da cidade-, logrando êxito, trabalhei, nessa agência, aproximadamente 10 meses e 27 dias, ou seja, 02 de janeiro a 27 de outubro desse ano.
No banco exercia as seguintes atividades: varria e lavava as dependências externas e internas diariamente, apanhava as correspondências na Agência do Correio local, também diariamente. As correspondências recebidas, distribuindo-as às várias seções para as providências necessárias, as da gerência eram colocadas na mesa do gerente. À noite, depois de encerrada a atividade bancária, distribuía numa mesa grande as correspondências (cartas, memorandos, ordens de pagamento) expedidas pela agência, de acordo com os destinatários, envelopava-as, selava-as para, em seguida, entregarem-nas aos Correios. Também atividade diária.
Começava a minha atividade bancária diária às 6:30h e a encerrava, geralmente, a 1:00 hora da manhã. Às 6;30h, varria e lavava as dependências, inclusive o banheiro, em seguida pegava a correspondência que devia ser postada, separava também a que devia ser entregue aos clientes locais, tudo isso depois de haver telefonado para a estação ferroviária para saber qual o atraso do expresso da Leopoldina, a que horas estava prevista a sua chegada. O atraso era normal. Se acontecesse de em um dia chegar no horário é que estava atrasado 24 horas.
À tarde, saía para entregar a correspondência destinada aos clientes, levar duplicatas para aceite e recolher as que já se encontravam reconhecidas pelos sacados (clientes).
Em chegando ao banco, retornava à faina interna de todas as tardes, ou seja, passava a organizar o arquivo, encadernando as correspondências já liberadas e colocando os cadernos em ordem, em estantes apropriadas. E, assim, nessa azáfama ia-se a minha vida de funcionário bancário de salário mínimo, salário mínimo bancário, mas salário mínimo.
E, durante esse tempo de atividade bancária, ia ouvindo recriminações do gerente por qualquer erro ou falha, ainda que mínima. E isso se repetia a miúdo.
Certa feita, lembro-me como se estivesse ocorrendo agora: um colega havia sido convocado pelo Exército para, como expedicionário, ir fazer parte das tropas brasileiras na Europa na luta contra o nazismo. Os colegas se cotizaram para oferecer-lhe uma ceia de despedida e convidaram-me para também fazer parte das homenagens. Terminado o ágape, saímos todos.
O bar onde houvera a confraternização ficava ao lado da agência bancária, o que me possibilitou ver que a porta de aço do banco estava destravada e um pouco levantada. Meu coração disparou e eu imediatamente me julguei responsável pela possível negligência em não haver travado a porta. Levantei-a sobressaltado e entrei para verificar se havia algo sério. Nesse comenos, o gerente saindo de seu gabinete veio em minha direção aos berros, sem motivo algum . Eu saí e ele me acompanhou, agredindo-me com palavras ásperas e ofensivas sem que até hoje eu soubesse o porquê.
Aquela noite, que me tinha sido tão agradável, ao ver que os colegas me consideravam, a mim contínuo, como um funcionário igual a eles, de repente perdeu toda a magia, transmudando-se em uma borrasca prenhe de trovões e raios coriscantes.
No dia seguinte, procurei Dona Sinhá Vitarelli Costa, que me tinha como sobrinho, porque minha mãe havia morado muitos anos na casa de sua mãe, Maria Vitarelli, que considerava minha mãe como filha, a quem eu chamava de vovó, e também Dona Sinhá e os irmãos consideravam a minha mãe como sua irmã. Como ela havia intercedido por mim junto ao Gerente, procurei-a, colocando-a a par do que me ocorrera desde que fui admitido como funcionário e também o acontecimento da véspera e disse-lhe que ia apresentar o pedido de demissão. Ela concordou com a minha decisão e eu me demiti.
O interessante é que, com a minha retirada, contrataram três novos funcionários para fazer o serviço que eu fazia sozinho. Apesar de tudo, aquele gerente me ensinou a trabalhar, e, quando eu fui para o Rio, já no primeiro emprego pude demonstrar certa capacidade funcional que me abriu as portas, facilitando a minha aceitação pelos demais funcionários.
Deixando o banco, no começo de novembro, viajei a Viçosa com o fito de espairecer-me e descansar.
Foi nesse ano de 1944, e no mês de novembro que conheci aquela que viria a ser minha esposa.
Lá, pelo dia 27, se não me falha a memória, recebi de Visconde do Rio Branco um chamado para procurar o inspetor do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais S/A, que me aconselhou a retirar o pedido de demissão e aceitar a minha transferência para outra agência. Agradeci muito ao Sr. Juracy Levy e mantive a minha demissão. Nesse ínterim, Geraldo de Oliveira solicitou à sua mãe que me emprestasse Cr$100,0 (cem cruzeiros).
No dia 30 de novembro de 1944, parti às 7 horas para o Rio de Janeiro pelo expresso da Estrada de Ferro Leopoldina, lá chegando por volta das duas horas da madrugada seguinte.
Deus sempre esteve presente em minha vida, aplainando os caminhos e me mostrando o rumo, apesar de, muitas vezes, não haver reconhecido a sua presença nas suas providências.
Viajara para o Rio, sozinho e sem nenhum endereço. Havia um parente meu que morava no Rio, mas desconhecia onde morava. E, agora, havia chegado ao Rio. O que fazer? O condutor do trem, cognominado Valdir, que era casado com uma moça de Visconde do Rio Branco, tendo tomado conhecimento durante a viagem da minha situação, ao chegarmos à estação de Barão de Mauá, chamou-me e disse-me que ia levar-me para sua casa, onde permaneci por dois ou três dias. Com alguns endereços de firmas que estavam contratando empregados, que constavam dos classificados do Jornal do Brasil, saí de sua casa rumo ao centro, e em busca de emprego.
O mês de dezembro foi dificílimo. Com pouco dinheiro, hospedei-me em uma hospedaria, ambiente promíscuo que recebia todo tipo de pessoas. Ao ingressarmos para dormir, deixávamos na portaria os objetos de valor que portássemos e, muitas vezes, durante a noite, éramos acordados pela polícia atrás de algum meliante.
A minha alimentação, fazia-a num restaurante Chinês situado na Praça Tiradentes, a refeição mais barata do Rio de Janeiro, mais barata que a oferecida pelo governo aos trabalhadores na Praça da Bandeira. Esse restaurante, de chinês só tinha o nome, a refeição era brasileira, e a pior. Almoçava, geralmente, arroz e ovo. Ainda ouço a voz do chinês gritando para a cozinha, quando eu trocava um prato pelo ovo: “sai um ovo talado nom?” Durante uns dois meses, talvez mais, esse restaurante do China (chamavam-no assim), foi o lugar onde me alimentei.
Contava 19 anos de idade, e o Brasil estava em guerra contra a Alemanha. Apesar de ser filho único e considerado arrimo de família, os empregadores descartavam a possibilidade de me contratarem, temendo naturalmente a minha convocação. É que se me contratassem e eu fosse convocado, teriam de guardar a minha vaga para quando eu voltasse, se voltasse. A lei do arrimo de família poderia ser mudada e, como se sabe, no Brasil, nenhuma lei garante coisa alguma, principalmente porque estávamos, naquele tempo, sob o império da ditadura Vargas, que se autodenominava Estado Novo.
E ainda guiado por Deus, descobri o endereço do Dr. Fortunato Barreto Mesquita, advogado, natural de Visconde do Rio Branco e que fora Inspetor Federal no Ginásio Rio Branco, e ele me encaminhou ao escritório do advogado, Dr. Jaime Bastian Pinto, e lá procurasse sua Secretária, Dona Hilda, que me encaminhou ao consagrado poeta Augusto Frederico Schmidt, por intermédio de quem consegui emprego em uma de suas empresas, Instaladora de Frio Ltda., firma que construía e instalava balcões frigoríficos e geladeiras comerciais, fabricadas em madeira. No dia 10 de janeiro desse ano da graça de 1945, comecei a trabalhar no escritório situado na Av. Mem de Sá, próximo à Cruz Vermelha.
Quando me apresentei para o trabalho, fui recebido com muita reserva pelos demais empregados, tanto os do escritório quanto os da oficina, pelo fato de eu haver sido encaminhado por um dos sócios da empresa. Achavam que eu lá ia, exclusivamente para marcar o ponto e receber o salário.
O difícil aprendizado adquirido no banco veio a calhar e eu pude mostrar serviço, organizando o arquivo, o almoxarifado, estabelecendo o levantamento do custo da instalação de uma geladeira ou de um balcão frigorífico e ainda secretariando o engenheiro Emil Ludwing, datilografando suas correspondências redigidas em Inglês. Causei boa impressão.
Poucos meses depois fui transferido para a fábrica de geladeiras e balcões frigoríficos fabricados em madeira de lei, instalada na Estação do Rocha, subúrbio da Central do Brasil. Fui com a missão de fazer o levantamento do custo exato de cada geladeira e balcão que lá fosse fabricado. Felizmente, consegui cumprir a tarefa.
Assim que comecei a trabalhar na Instaladora de Frio, encontrei, por acaso, com um conhecido de Visconde do Rio Branco, que me deu o seu endereço, convidando-me para visitá-lo. Morava em Botafogo na casa de uma Senhora, minha conhecida de Viçosa e muito amiga da minha prima Cidinha. Ela me forneceu o endereço da Cidinha, que me foi de muita valia. Nos primeiros dias desse emprego, eu morava na Rua Taylor, na Lapa, na casa de uma senhora Argentina. Minha cama era um colchão e o meu guarda roupa, um barbante esticado de parede a parede. Meu café da manha era uma média (xícara maior) com café com leite, pão e manteiga, que se repetia no almoço e no jantar.
O garçom que me atendia compreendeu a minha situação financeira e, espontaneamente, deixou de cobrar-me o fornecimento.
Era o meu primeiro mês no emprego. Não havia recebido nenhum salário ainda. Com a descoberta do endereço da minha prima, esta me convidou a tomar refeições em sua casa sita na Rua da Passagem, em Botafogo. Aceitei, e, com satisfação, todos os dias, à hora do almoço, pegava o bonde no Tabuleiro da Baiana – Largo da Carioca – e ia a Botafogo.
Algum tempo depois, já estabilizado no emprego, consegui uma vaga na pensão do Sr. Armindo (português), em um prédio localizado na Av. Passos, em frente à Federação Espírita Brasileira, com acesso pela Travessa Belas Artes. Fornecia moradia e refeição.
Mudei-me para lá, onde permaneci até 1949 como inquilino. As refeições, no entanto, algum tempo depois deixou de fornecê-las, em virtude de um movimento grevista encabeçado por um jovem que se rebelou contra o aumento do seu preço. O Sr. Armindo, pura e simplesmente deixou de fornecer a alimentação. Era um sábio, o Sr. Armindo.
As refeições, passei a tomá-las na pensão de Dona Maria Pinto, localizada na Av. Gomes Freire. Permaneci como pensionista até 1949.
Guardo uma boa recordação dessa fase de minha vida.
D. Maria Pinto, a pensionista, tinha três filhos, um rapaz, homem feito, e duas meninas encantadoras, Olívia (Bibinha) e Elza, de, mais ou menos, 9 e 10 anos, respectivamente.
Domingo, sim, domingo, não, saía com as duas a passeio.
Dava gosto, ver nos rostos das moças, com quem entrecruzávamos a admiração e o espanto ao verem-me um jovem de 21/22 anos, aparentando menos ainda, com “filhas” já tão crescidas.
Eram crianças encantadoras, educadas, obedientes, respeitosas. Entraram na minha vida, iluminando-a, e depois saíram. Nunca mais as vi.
Essa experiência de rapaz pobre, longe de casa, marcaria em definitivo a minha vida, levando-me a avaliá-la melhor, bem como a valorar objetivamente aquelas duas pessoas (meu pai e minha mãe) que, além de me haverem dado a vida, deram-me também as condições morais para enfrentá-la e vencê-la ou, pelo menos, não deixar que ela me vencesse.
Lá, na Instaladora, trabalhei um ano e sete meses, quando me chamaram para trabalhar em outra firma do mesmo grupo de empresários, ou seja, na SEPA SOCIEDADE COMERCIAL LTDA., onde fiquei por 22 dois anos. Mais tarde, chamar-se-ia SEPA S/A EXPANSÃO COMERCIAL.
Nessa empresa, conheci e convivi diretamente com pessoas importantes tanto da política, quanto da música, do cinema, do rádio, da televisão e do esporte.
O diretor da SEPA e sócio principal era o Dr. Luiz de Freitas Valle Aranha, conhecido como Dr. Luiz Aranha, chamado pelos mais íntimos de LULU, irmão do chanceler Dr. Oswaldo Aranha, que foi, alguma vezes, Ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, tanto no chamado Estado Novo quanto na fase democrática. Em 1954, era Ministro da Fazenda. Dr. Luiz era um homem inteligente que, segundo meu ponto de vista, afastou-se da política para deixar campo livre para o seu irmão que amava essa atividade. Dr. Luiz dedicou-se ao esporte, sendo chamado de “Patrono do desporto brasileiro”. Certa feita, a Argentina e o Brasil romperam as relações esportivas e o Dr. Luiz foi chamado para intermediar o affair, conseguindo, ao entrar em contato com o prócer argentino, Alphonso Doce, restabelecer a amizade desportiva depois de muitos encontros aqui e na Argentina. No Brasil, os encontros aconteciam nos escritórios da SEPA que, na verdade, era um ponto de encontro de literatos, esportistas, políticos e artistas. De quando em quando, Dr. Luiz também ia à Europa como representante do esporte brasileiro. Botafoguense de primeira linha, era um dos conselheiros do Botafogo, e foi seu Presidente.
Augusto Frederico Schmidt, chamado de Dr. Schmidt, também botafoguense, era outro sócio e diretor da empresa. Empresário conceituado, também um escritor consagrado e festejado poeta, mais tarde no governo Juscelino Kubitschek, revelar-se-ia um excelente político e o inspirador da frase “cinquenta anos em cinco”.
Esses dois, principalmente, não foram apenas meus patrões, mas meus benfeitores.
A firma era frequentada por Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, que também se fazia presente na SEPA, além de Ary Barroso, Grande Otelo, Carlos Machado, chamado de “o dono da noite”, por ser o dono da “Boite Night and Day” e apresentar espetáculos maravilhosos, alegrando as noites cariocas, também freqüentavam a Sepa os cantores Orlando Silva e Carlos Galhardo, Carlito Rocha, uma figura marcante do Botafogo, João Havelange, que foi presidente da FIFA, e muitos outros.
O Presidente Juscelino, depois de eleito em 1960 e às vésperas de sua viagem a Europa, comportamento usual dos presidentes recém eleitos de então, esteve na SEPA e lá almoçou ao lado do Dr. Luiz, de quem era amigo. A empresa possuía uma cozinha para atendimento da diretoria, convidados e funcionários.
Comecei na SEPA como auxiliar geral, passando depois a auxiliar de escritório, posteriormente auxiliar de contabilidade e, em seguida, chefe de departamento (recebimento e entrega de mercadoria). A firma trabalhava com material de construção. Mais tarde vim a ser assessor jurídico da empresa.
Como auxiliar geral, iniciei minhas atividades como cobrador externo, visitando os fregueses para receber as faturas provenientes das compras que haviam feito na firma. Graças a esse serviço, vim a conhecer a cidade do Rio de Janeiro.
Em 1949, no dia 06 de setembro, convolei núpcias com Terezinha Barduni Leão, com quem estou consorciado até hoje. Tivemos cinco filhos, Maria do Carmo Leão Oliveira, casada com Antônio Moisés Oliveira, que nos deram Lorenza, Gabriel, e a bisneta Luísa; Maria Teresa Leão Magalhães, casada com José Geraldo Rivelli Magalhães, que nos deram Graziella, Daniela, Rafael e Isabela; Maria Luíza Leão; Expedito Luiz Leão Júnior, casado com Eliane da Silva Leão, que nos deram Victor, Vinício e Giovani e Maria Cristina Leão Ferreira, casada com Francisco Alves Ferreira, que nos deram Luale e Laíce.
Em 1956, depois de uma viagem a Viçosa como carona do Padre Antônio Mendes, Capelão da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, hoje, UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, fui incentivado por ele a voltar a estudar. Regressando ao Rio - era final de março - os conselhos recebidos do Padre Mendes voltaram-me à memória e, imediatamente, procurei em sua residência o Sr. J. Mourão Filho, dono do Colégio Cardeal Leme, sediado em Olaria, subúrbio da Leopoldina, a fim de conseguir uma vaga no Científico, porque o ano letivo já havia se iniciado e as matriculas estavam encerradas. Atendeu-me cavalheirescamente, mandando-me procurar o diretor do curso noturno, Prof. Norões, o que fiz na noite seguinte, matriculando-me. Quatorze anos haviam se passado desde o término do curso ginasial. As dificuldades foram imensas em Matemática, Física e Química. Não obstante estas, insisti e venci todas as dificuldades e três anos depois encerrava o curso científico. No convite de formatura, vinha um pensamente de São Francisco Xavier “devemos estudar como se fôssemos viver eternamente e rezar como se fôssemos morrer agora”. Fiz deste o meu lema de vida.
Preparei-me em casa para o vestibular. Fazia dezessete anos que eu estudara Latim, e no vestibular haveria a prova de Latim. À medida que estudava as declinações, verbos e traduções, pedia à minha esposa que me acompanhasse ao recordar as lições, esclarecendo-lhe que, em Latim, todas as letras são pronunciáveis. Minha esposa foi minha coadjuvante e examinadora para avaliarmos o que tinha aprendido de LATIM e o que faltava aprender.
Em janeiro de 1959, fiz o vestibular e, mercê de Deus, logrei classificação, iniciando o curso de bacharelado em Direito.
Em 1961, idealizei um programa de Direito para televisão. Chamei o colega Pablo José Ruiz Torres, um colombiano, para participar comigo na criação desse programa. E o fizemos com a colaboração do Juiz Dr. Cláudio Viana de Lima, Professores Heleno Cláudio Fragoso, Célio Oliveira Borja, Luiz Ivani Amorim. Registramo-lo na Biblioteca Nacional.
Em seguida, procurei o meu amigo Silvino Neto, radialista, artista e compositor, solicitando a sua ajuda junto à Televisão a fim de conseguir um espaço para um programa sobre Direito. Nessa época, existiam três estações de Televisão, a TV Continental, a TV Rio e a TV Tupi. A Globo ainda estava se organizando. Silvino contatou o superintendente da TV Continental, Sr. Costa Leme, e consegui um espaço de 15 minutos numa terça feira, às 23:00h, transferido depois para quinta feira com aumento do tempo de duração. No dia programado, iniciamos o programa numa apresentação de gala, com toda a equipe distribuída no palco, inclusive com os professores que nos dariam a assistência técnica jurídica. Era nosso diretor técnico o funcionário da Continental de nome Alfredo Conca. Foi o primeiro programa sobre Direito apresentado pela Televisão no Rio de Janeiro, quiçá no Brasil. Chamava-se EM DIA COM O DIREITO, programa apresentado pelos alunos do 3º ano da Faculdade de Direito Cândido Mendes. Era como se apresentava. Coube-me a apresentação semanal do programa, bem como a sua preparação e organização.
O sucesso do programa foi muito grande, com grande aceitação e recebendo inclusive menção honrosa do Instituto dos Advogados do Brasil e elogios da imprensa especializada.
Impressionou tanto o apresentador de Televisão Flávio Cavalcanti, da TV TUPI, que ele criou um programa sensacionalista com o nome de Sua Majestade a Lei.
Infelizmente, alguns meses depois da sua apresentação, com o agrado geral, sendo eu transferido do escritório da empresa onde trabalhava para outro departamento afastado do escritório, com horário e trabalho diferentes, vi-me forçado a interromper as apresentações do programa.
Lembro-me que o superintendente lamentou muito o encerramento das transmissões, principalmente depois do sucesso do JURI SIMULADO, que apresentamos com a presença e participação de pessoas da sociedade carioca, principalmente advogados de grande projeção profissional, entre os quais se encontrava o advogado criminalista de renome, Dr. Alfredo Trajan, no julgamento de um processo verdadeiro já julgado no Tribunal do Júri, com jurados escolhidos entre pessoas da comunidade, que compareceram ao programa como convidadas.
O júri terminou de madrugada, e o veredito foi idêntico ao proferido pelo Tribunal do Júri, apesar de os jurados do Júri Simulado desconhecerem o resultado daquele Tribunal .
Esse júri simulado estava programado para acontecer no I TRIBUNAL DO JÚRI DO TRIBUNAL DO JÚRI do Rio de Janeiro, com o consentimento de seu Presidente. Seria uma novidade televisiva, transmissão externa, ou seja, fora do estúdio de televisão. Às 18 horas do dia aprazado, e fartamente noticiado pela imprensa do Rio de Janeiro, o caminhão da TV Continental chegava às portas do Palácio da Justiça para os preparativos necessários. Estávamos no pioneirismo das transmissões externas. Os espectadores começavam a chegar, inclusive os convidados. Um imprevisto, no entanto, surgiria obstaculando a apresentação. Um oficial de justiça, encanecido pelo tempo, procura o Presidente do Tribunal do Júri, substituto, pois o efetivo, Desembargador Oscar Tenório, encontrava-se na Europa, e lhe diz que era muita perigosa aquela transmissão por ser o Prédio muito antigo e velhas as instalações elétricas, sendo muito potentes as máquinas que iriam transmitir, podendo produzir um curto circuito na fiação elétrica. O presidente aceitou a advertência e sem averiguar de como seria realizada a transmissão, sem nenhuma ligação elétrica com o velho casarão, cancelou a sua licença, proibindo a transmissão. De nada valeram as explicações dos técnicos da TV Continental, a proibição foi mantida. O meu mundo caiu. Nessa altura, grande era público que viera assistir o JÚRI simulado, uma verdadeira aula de direito penal, em tudo idêntico ao julgamento com os que se realizavam costumeiramente naquela Casa da Justiça. Por alguns instantes, fiquei sem ação. De repente, no entanto, levantei a cabeça, chamei o colega Henrique Jesuíno Guimarães e lhe perguntei se ele poderia ir até a TV CONTINENTAL, nas Laranjeiras, e perguntar ao Sr. Costa Leme, se lhe seria possível preparar o cenário de júri para a Continental apresentar do estúdio O JULGAMENTO SIMULADO.
O Henrique tinha tido até aquele momento uma grande participação na divulgação para a realização desse Júri. Era funcionário da CIVIA, que trabalhava com administração e venda de imóveis, sendo o encarregado de promover a propaganda das atividades da empresa na imprensa carioca. Por esse motivo tinha trânsito livre em todos os jornais e revistas do Rio. Com esse seu conhecimento, pôde divulgar em todos os jornais essa iniciativa do programa Em Dia Com o Direito, quase que diariamente, além das chamadas realizadas pela própria estação de televisão. O Henrique, mais uma vez, colocou-se em atividade e foi presto até o Sr. Costa Leme, que atendeu prontamente o apelo que lhe fizemos e mandou preparar o estúdio e, às 23:00h, foi iniciada a grande aula cívico- jurídica, realizada por estudantes do 3º ano da Faculdade do Direito da Cândido Mendes. Foi um sucesso. Às 3:ooh da manhã, quando passava na Praça da República, em frente ao então Palácio da Guerra, o pequeno jornaleiro gritava a plenos pulmões, vendendo o jornal O DIA: “Extra, extra, júri de estudantes, qual júri de verdade, vara a madrugada. Vejam aqui, comprem o Dia”.
Em l963, terminei o bacharelado em Direito. Em 1964, matriculei-me no curso de Doutorado em Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, terminando em 1965.
No período acadêmico, ou seja, durante o curso de Direito fiz dois amigos que entraram na minha vida para ficar: Gilberto Dantas e Henrique Jesuíno de Carvalho Guimarães. Concluído o bacharelado, montamos, em sociedade, um escritório de advocacia, na Av. Franklin Roosevelt, Esplanada do Castelo. O Gilberto e eu continuamos os estudos, cursando o doutorado em Direito Penal, na Faculdade de Direito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1964/5, enquanto o Henrique cuidava do escritório.
Em fins de l968, quando regressei a Viçosa, separamo-nos no espaço, mas continuamos ligados no tempo, por uma amizade de irmãos: eles são tios dos meus filhos, e eu, dos filhos deles.
No ano de 1962, como solicitador, iniciei a minha atividade profissional, assistido por advogado nos dois primeiros anos, e daí em diante, por conta própria.
Em 1968, decidimos, minha família e eu, voltar para as origens e no dia 30 de dezembro de 1968, retornamos a Viçosa, aqui chegando exatamente às 12 horas do dia 31, justamente no momento em que a transportadora descarregava a nossa mudança. Já fez 42 anos a nossa estada em Viçosa.
E aqui, desde então, tenho exercido a advocacia.
Entretanto, em 1971, exatamente no dia 02 de agosto, recebi a visita do Dr. Edgar de Vasconcelos Barros, então deputado estadual, que se fazia acompanhar pelo Sr. David Procópio Loures Vale, diretor do recém instalado Colégio Estadual de Viçosa, localizado no prédio onde havia sido o Grupo Escolar “Cel. Antônio da Silva Bernardes”, localizado onde hoje se encontra a sede da Caixa Econômica Federal – agência de Viçosa.
Disseram, sem mais delongas, que se encontravam em minha casa para convidar-me para substituir o diretor David Procópio, que pretendia voltar a Ervália, onde residia. Surpreso com o convite, pedindo licença e deixando-os na sala, fui ao interior do apartamento, a fim de consultar minha esposa e ouvir-lhe o parecer. Depois de ouvir-me, ela me aconselhou a aceitar o convite. E foi assim que, recebendo as visitas ilustres, tornei-me diretor de colégio.
No dia 04 de agosto, já me encontrava a postos a fim de começar a entender a engrenagem do Colégio, bem como me familiarizar com os funcionários, professores e alunos. Designado diretor pela Secretaria de Estado da Educação, assumi a direção e durante 07 anos, pouco mais, dirigi o Colégio Estadual de Viçosa, já com o nome de Escola Estadual “Dr. Raimundo Alves Torres” – ESEDRAT -, denominação escolhida por nós em assembléia de professores para esse fim convocada.
Ratificada pelos professores a escolha do nome, a ata foi encaminhada ao deputado que se comprometeu transformá-la em lei, e assim o fez.

VIÇOSA CLUBE – 1972/1975

No final de 1971, sócios eminentes do Viçosa Clube, entre os quais se encontrava o Dr. SEBASTIÃO FERREIRA DA SILVA, reuniram-se na sede do Clube, no sobrado do prédio localizado na Praça Silviano Brandão, para a eleição da nova diretoria para o novo mandato, que se iniciaria no dia 1º de janeiro do ano seguinte, ou seja l972. Realizada a eleição, foram eleitos: JOSÉ SANTANA (Filinho da Mundial), para presidente, EXPEDITO LUIZ LEÃO, para vice-presidente, DUARTE TAFURI, secretário, ADSON BICALHO, para tesoureiro, etc.
No dia 1º de janeiro de 1972, reuniu-se um pequeno número de sócios para dar posse à nova diretoria, tendo, antes desse ato, sido lida uma correspondência enviada pelo sócio Filinho da Mundial, na qual dizia da grande satisfação em haver sido eleito para presidir a instituição, mas que, por motivos de força maior e a contragosto, declinava da honra de vir a ser o novo presidente de uma instituição recreativa e social de grande tradição na sociedade viçosense, não podendo assumir. Diante deste fato, os demais sócios escolhidos foram empossados, tendo eu o vice-presidente, assumido a presidência da instituição.
No dia 1º de janeiro de 1972, por força das circunstâncias retro citadas, assumi a direção do clube. Passava a instituição, por uma crise muita séria, com um pequeno número de associados e, praticamente, sem nenhuma atividade social para os sócios, a não ser uma sala de carteado para os aficionados. Com dificuldade, o presidente anterior, Nestor Pataro, havia, depois de transacionar a venda da sede da Praça do Rosário, que estava sendo construída, com a Municipalidade, transferindo-a para a Prefeitura, adquiriu lotes de terra no Bairro de Ramos, bairro novo, e, nesses lotes, começou a construção da nova sede. Levantara o prédio, e o cercara com as paredes externas e fizera no térreo alguns cômodos. O Piso do térreo estava por fazer, as paredes necessitavam do acabamento e no salão superior, tudo estava por fazer, os vidros das paredes laterais, os banheiros, o piso e a própria entrada de acesso ao salão.
A instituição não possuía reserva financeira, os sócios, embora pequena a mensalidade, não efetuavam o pagamento, a não ser um pequeno número; também o clube não possuía nenhuma pessoa encarregada da cobrança. A entidade sócio recreativa há muito tempo não realizava nenhuma atividade social, com o objetivo de reunir seus associados.
Resolvemos, os demais membros da diretoria e eu, contratar um funcionário para buscar a colaboração dos associados na quitação das mensalidades em atraso. Com o recebimento dessas mensalidades, foi-nos possível cimentar o salão térreo, terminar os sanitários masculino e feminino, adquirir uma geladeira comercial, um fogão industrial, arrumar a cozinha, construir um balcão divisório para atendimento no fornecimento de cerveja, refrigerantes e salgadinhos, e, do lado de fora, uma passarela do portão de acesso às dependências do salão térreo. Arranjamos cadeiras, mesas emprestadas, toalhas alugadas e, por fim, contratamos um grupo de músicos, que se intitulou de “Durango Kid”, tudo em 20 dias, e realizamos o carnaval de 1972. O Viçosa Clube, qual fênix, ressurgia da letargia em que se encontrara por alguns anos, em virtude da situação financeira em que estava vivendo havia tempo. Criamos o slogan A FAMÍLIA EM SOCIEDADE e a marca VC.
Em l973, realizamos o segundo carnaval, com o mesmo conjunto, sempre sob a direção de Vantuil. Em 1974, buscamos os músicos que faziam parte da Banda do Canecão. Sob o comando do maestro Waldomiro e dando à banda um novo nome, só para nos atender por não poder fazê-lo com o nome de BANDA DO CANECÃO, que pertencia à casa de espetáculos CANECÃO do Rio de Janeiro, realizamos o carnaval no andar superior, ou seja no salão de festas.
Em 1975, já com os vidros nos janelões do lado esquerdo, trouxemos os músicos do quartel da Polícia Militar de Barbacena, um conjunto musical carnavalesco de escol, que, sob o nome OS BRASINHAS, abrilhantou as quatro noites carnavalesca desse ano.Tudo o que fizemos, só o fizemos porque tivemos a colaboração de muitos sócios, entre os quais Adson Bicalho e Duarte Tafuri, o eterno enamorado do Viçosa Clube, de alunos do Colégio Estadual, dos que hoje são meus genros, Antônio Moisés e Geraldo Rivelli, e de minha família, esposa e filhos. Em 1976, novamente OS BRASINHAS; em seguida, deixamos a diretoria e nos recolhemos ao anonimato.
Ironia das ironias! Eu que nunca fui carnavalesco e nem contumaz freqüentador de festas sociais, como presidente do Viçosa Clube, preparei reuniões sociais e bailes carnavalescos para os outros (sócios do clube).

16 DE AGOSTO DE 1972

Convidado pelo então rotariano, Dr. Ary Teixeira de Oliveira, que foi o meu padrinho, em uma reunião festiva, como é de praxe, fui admitido como sócio do ROTARY CLUB DE VIÇOSA, que tem como lema internacional DAR DE SI SEM PENSAR EM SI. Identifiquei-me com o Rotary e durante anos busquei colocar em prática o lema internacional do Rotary. Ocupei vários postos, e a presidência, exerci-a por duas vezes. A primeira, no biênio 1977/78 e a segunda, exatamente dez anos depois, ou seja, em 1987/88.
Quando, em 1977, me tornei espírita, aceitando a doutrina do “Fora da Caridade não há Salvação”, não me foi difícil aceitá-la pois já havia aprendido a “DAR DE MIM SEM PENSAR EM MIM”.
Em agosto de 1977, mais precisamente no dia 26 de agosto, o grande acontecimento de minha vida, o divisor de águas da minha atual existência, aquele que demarcaria o novo rumo que deveria me abrir novos horizontes para a busca de um porvir melhor: entrei no Espiritismo, na ânsia promissora de tornar-me um.
E desde então posso dizer que nasci de novo, mais preocupado com o outro, compreendendo que somos efetivamente cada um de nós o complemento do outro; e que o futuro, para se concretizar no bem de todos, não poderá deixar de lado um que seja, porque a vida só será completa e feliz quando todos forem felizes.
Enquanto houver lágrimas, ainda que seja a de um só, haverá lágrimas no mundo, e a felicidade não poderá existir. Não posso mudar o mundo, nem mesmo uma só pessoa, mas posso mudar a mim mesmo. E será assim que o mundo se modificará, e isto será realidade quando os homens tiverem realizado essa transformação individual, e a soma de todos será a salvação do mundo e o estabelecimento da plenitude da vida. Temos tempo, porque o tempo se perde na eternidade. Hoje, eu faço palestras espíritas, analisando a mensagem cristã. E, falando, ouço. E, ouvindo, também aprendo tanto quanto os outros. Ah! Se o mundo tivesse compreendido a mensagem do Cristo! Mas, ainda é tempo, porque o tempo é eterno.
Aos 07 de junho de 2004, juntamente com Luís Otávio Guimarães foi criado o GRUPO ESPÍRITA AFONSO RUBEM NUNES – GEARN, com sede em minha residência, Rua Francisco Machado, 265 A, com reuniões de estudo aos sábados, às 19:30h e no primeiro sábado, de cada mês, palestra no Espaço Cultural Hervê Cordovil (Estação Ferroviária), às 17:00h.

23 de FEVEREIRO de 2011

Nesta data, participei pela última vez de uma sessão do júri, como advogado. Fi-lo, ao lado de meu filho, Expedito Luiz Leão Júnior, patrocinando a defesa de três réus acusados por tentativa de homicídio. Conseguimos a absolvição dos três, por unanimidade.
O Juiz presidente do Tribunal, ao término da sessão, enalteceu a minha participação como advogado nesta comarca e nas comarcas circunvizinhas. Em seguida, a 91ª Seção da OAB/MG entregou-me uma placa comemorativa do evento, dando-me parabéns e externando agradecimento pela minha ativa participação como advogado e cidadão.

HOMENAGENS

Figura Marcante de 1974 – Categoria Benemérito da Comarca de Viçosa, título conferido pelo Jornal A Cidade de Viçosa, 1975.

Personalidade do Ano como Educador, Viçosa, 1976.

Advogado do Ano, conferido pela Imprensa de Viçosa, 1976.

Honra ao Mérito, Diploma conferido pela Escola Estadual “Dr. Raimundo Alves Torres”, 1999.

Medalha Desembargador Hélio Costa, conferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 2000.

Placa de Reconhecimento pelos Serviços Prestados à Sociedade como Advogado, outorgada pela 91ª Subseção OAB/MG, 23/02/2011.

Esta é a história da minha vida, em rápidas pinceladas. Registrei apenas o que me pareceu mais importante, para minha família e para algumas pessoas mais, aquelas que me foram benfeitoras e aquelas que eu, de alguma forma, pude servir.
Aos que lerem essas anotações um conselho: Por mais difícil que a vida lhes pareça, ela merece ser vivida, porque é na luta que se forjam os caracteres e é da luta que nascem os fortes. “A vida é uma luta que aos fracos abate e aos fortes intimida” , mas, intimidados, continuam a lutar e lutando, vencem.