Total de visualizações de página

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O CEGO DE JERICÓ

                   Dos acontecimentos ocorridos há dois mil anos e registrados no Novo Testamento, o ocorrido com  Bartimeu, o cego de Jericó, é o mais rico em ensinamento que se projetou e se projeta no tempo trazendo luzes, ainda hoje, para nós os que nos encontramos na carne, no presente momento. Aliás, o ensinamento transcende a vida e também se faz presente naqueles que já reingressaram no Mundo Maior. O ensinamento evangélico é de todos os tempos e para encarnados e desencarnados, ou seja, , para “vivos” e “mortos”, segundo a carne.
                  Bartimeu, palavra composta do prefixo bar, que quer dizer filho de, e Timeu, nome do progenitor do cego. Com o tempo, o cego ficou conhecido como sendo BARTIMEU, passando este a ser o seu nome.
                  Bartimeu estava sentado à beira da estrada que liga Jerusalém a Jericó.
                 Jerusalém era – e ainda é – a Cidade Santa dos Judeus, e JERICÓ era, naquele tempo, uma cidade rica , abrigando um próspero comércio e casas de diversão. A Jerusalém iam os judeus de todas as partes da Terra, pelo menos, uma vez por ano, para visitar o Templo religioso que, originariamente, havia sido construído pelo rei Salomão – o mais sábio de Israel. O Templo dessa época não era mais o mesmo, pois o construído pelo rei Salomão havia sido destruído em uma das muitas invasões sofridas pelos hebreus ou israelitas. E, naturalmente, foi reconstruído após cada destruição. A última reconstrução foi ordenada pelo rei Herodes, que não era judeu , hebreu ou israelita, mas idumeu , procedia da Iduméia ou distrito de Edom, sua Terra de origem, e que assumira o trono judeu, sucedendo a seu pai Antipater, que fora assassinado. Para ser melhor aceito pelos judeus, casou-se com Mariamne, que era judia, e mandou reconstruir as muralhas do Templo e ampliar-lhe as instalações, realizando uma edificação suntuosa. O Templo era um lugar Santo, onde habitava o Santo dos Santos, Jeová.
                  Além do Templo de Jerusalém existiam noutras cidades as Sinagogas, que eram Templos religiosos, onde se estudavam a Tora e o Talmude. Aos sábados, costumeiramente, se fazia a leitura de uma página sagrada e se estudavam as profecias. Eram freqüentadas pelo povo e qualquer pessoa do povo podia fazer a leitura de um texto sagrado.
                  Em Jerusalém existiam os Fariseus, que eram ricos,  cultos e poderosos e, naturalmente, orgulhosos; não se misturavam com o povo. Havia também os Doutores da Lei, que podiam ser equiparados aos advogados de hoje, os escribas, que estavam encarregados de copiarem os pergaminhos da Torá (os cinco livros de Moisés) e os outros livros do Talmude (Antigo Testamento: conjunto de todos os livros) e os Sacerdotes, que estavam encarregados de zelarem pelo Templo e da prática do Culto. E, naturalmente, existia, no outro lado, a plebe, o povo, na sua maioria, inculto, analfabeto e ainda os miseráveis. Este era o ambiente da Judéia, de modo geral, e de Jerusalém, de modo particular.
                  Os fariseus, doutores da lei, escribas e sacerdotes conheciam as profecias. Estudavam-nas, religiosa e insistentemente. Conheciam as que anunciavam a vinda do Messias, e aguardavam com ansiedade o cumprimento dessa profecia, pois a Judéia se encontrava sob o jugo romano e queriam se libertar dele, com a ajuda de Messias prometido.Este deveria vir à frente de um exército numeroso e dominariam os romanos, e os judeus de dominados passariam à condição de dominadores. Não compreendiam que o Messias ou Cristo viria para libertar o povo dos seus vícios, defeitos e imperfeições.
                  Bartimeu, o cego de Jericó, era, naturalmente, analfabeto e, sendo, ainda, pobre, vivia da caridade pública. Era um esmoler. Naturalmente, não sabia ler. Não existia o alfabeto Braille. Sendo cego desenvolveu os sentidos da audição e do tato. E ouvindo as leituras proféticas na Sinagoga e o que dizia o povo nas ruas, ia tirando as suas conclusões a respeito de Jesus.
                  Ele estava “sentado à beira da estrada que ligava Jerusalém a Jericó, e quando Jesus voltava de Jericó, com grande acompanhamento e todos falando ao mesmo tempo, pode ele perceber que algo inusitado estava acontecendo e, então, perguntou o que se passava e lhe responderam    : é Jesus de Nazaré! Diante dessa resposta pôs-se a gritar: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. E os que se encontravam perto dele, lhe diziam, cala-te. E ele gritava ainda mais alto: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. E novamente lhe diziam para calar-se, porque estava incomodando. E ele insistia, gritando mais forte ainda: Jesus, filho de Davi, tende misericórdia de mim. Jesus, ouvindo o seu chamamento, manda que o busquem. E o mensageiro, chegando perto dele, lhe diz: levanta-te depressa que Ele te chama. Bartimeu, incontinente, retira a sua capa, levanta-se rapidamente e vai ter com Jesus. E Este lhe diz: que queres que Eu te faça? Responde-lhe ele, “Que eu veja”. E Jesus lhe diz: Veja. E ele viu e seguiu a Jesus pelo Caminho”. Este é o registro evangélico desse acontecimento de há dois mil anos.
                  Os fariseus, doutores da lei, escribas e sacerdotes conheciam as profecias, sabendo que elas revelavam que o Messias seria da descendência de Davi e, por isto, seria chamado de “Filho de Davi” e, não obstante, não viram em Jesus o cumprimento das profecias, apesar de saberem diretamente e por intermédio de seus espiões de tudo o que Ele, Jesus, estava ensinando, as curas que estava fazendo e, portanto, o bem que Ele estava espalhando. Eles tinham olhos de ver, e não viam; ouvidos de ouvir, e não ouviam. Bartimeu, ao contrário, era cego fisicamente e, no entanto, fora capaz de VER que Jesus era Filho de Davi. Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que estava passando e ele, entretanto, deduziu e, imediatamente, concluiu, que era o Messias, o Filho de Davi quem estava passando pela estrada naquele momento. O Cego de Jericó tinha de olhos de ver, porque nos seus anos de cegueira havia desenvolvido a sua visão espiritual. Via os que os outros não viam e tendo, também, desenvolvido a sua audição psíquica, fora capaz de ouvir o que os outros, nem sequer pressentiram. Bartimeu, cego, tinha olhos de ver e ouvidos de ouvir.
                 Quando lhe disseram que Jesus o chamava, ele imediatamente,  se despiu de sua capa, que lhe era uma indumentária pesada, mas de  grande importância, pois o abrigava nas noites frias, protegendo-o, inclusive, nos dias chuvosos. Mas ela era um peso em seus ombros e o prejudicaria nos movimentos para levantar-se e ele tinha de fazê-lo rapidamente. E lançando fora de si a capa, levantou-se rapidamente e foi ter com Jesus.
                  Ao se colocar diante de Jesus, ouviu deste, “o que queres que Eu te faça?” E ele imediatamente respondeu que eu veja.
                  Quantos de nós invocamos Jesus; se atendidos e perguntados Por Ele : “Que queres que Eu te faça?” não saberemos responder, porque, na maioria das vezes, nós O chamamos em vão, isto é, não sabemos o que, efetivamente, queremos. Não foi o caso de Bartimeu. Ele ao evocar o nome do Justo, já havia analisado muito bem a sua vida. Sabia que, como cego, continuaria a receber o auxílio das demais pessoas, pois não tinha condições físicas para o trabalho. Naquele tempo, um cego não tinha condições de exercer profissão alguma. Adquirindo a visão, não mais receberia a ajuda do povo. Teria de trabalhar para prover as suas necessidades. E não obstante isto, ele respondeu presto: que eu veja. E Jesus, imediatamente, o atendeu, dizendo-lhe: veja. E ele viu e seguiu a Jesus pelo Caminho, isto é, ele se tornou um seguidor de Jesus, um novo discípulo.
                  E nós, quando nos tornaremos um novo discípulo? Quando tiraremos de nós a capa do comodismo, do indiferentismo, do orgulho, do egoísmo, da inveja, do ciúme, da intolerância, das nossas tendências e pendores ruins? Quando?
                  Aprendamos com Bartimeu a desenvolver a nossa visão e audição psíquicas, para sermos capazes de ver e de ouvir com a nossa alma. É tempo ainda. O tempo é hoje e o momento é agora. Somos espíritos imortais, logo, busquemos, primeiramente, os valores que enriqueçam a nossa alma, e serão imperecíveis como indestrutível é o nosso espírito..Que os nossos olhos se abram para a luz e os nossos ouvidos se tornem capazes de ouvir e de sentir a sinfonia do Amor Divino.              

Nenhum comentário:

Postar um comentário