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terça-feira, 5 de julho de 2011

RECORDAÇÕES

Sou Expedito Luiz Leão, filho de Victor Luiz Alves Leão e Luíza de Souza Leão. Meu pai era pedreiro e minha mãe, do lar.
Nasci em Viçosa, na Av. Santa Rita, em uma casa situada no lote onde hoje é o prédio nº 209, às 17:OO h, no momento exato em que passava a procissão de Santo Expedito. Daí o meu nome. Era o dia 19 de abril de 1925.
Nasci com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Estava roxo e asfixiado e o médico, que assistia a minha mãe, prontamente me libertou da asfixia e me salvou a vida!!! Esta informação foi-me dada por minha mãe, naturalmente.
Quando comecei a chorar clamando pelo alimento, minha mãe não mo pode dar: não tinha leite para oferecer. Passou o dedo na manteiga e colocou-a nos meus lábios.
Uma vizinha e sua amiga, em seguida, também deu à luz a mais um filho e passou a amamentar-me.
Assim foi a minha entrada nesta vida: os benfeitores já se faziam presentes desde o começo!
Com um mês de vida, mudamo-nos para Visconde do Rio Branco onde permaneci até 1934, quando retornei a Viçosa.
Matriculei-me no Grupo Escolar “Cel. Antônio da Silva Bernardes”, que estava localizado em uma casa que existia no local onde hoje se encontra o prédio da Caixa Econômica Federal, para a continuação do curso primário iniciado na cidade de Rio Branco, no Grupo Escolar “Dr. Carlos Soares” localizado na Praça 28 de Setembro.
Nos anos de 1936 e 1937, confeccionei papagaios (pipas) para vender. Vendi balas no Cinema Odeon, localizado na Praça Silviano Brandão, pipoca nas portas dos circos e jornais para conseguir recursos que me possibilitassem adquirir os jornais e revistas, entre os quais o Suplemento Juvenil, depois Gibi, que editavam as estórias, Jim das Selvas, Flash Gordan, Fantasma, Mandrake, Jeff e Mutt, Tarzan, Dick Tracy etc. Algumas noites, no final da Av. Santa Rita próximo do lugar onde se encontra com a Rua Gomes Barbosa, costumava descascar e debulhar milho e nalgumas outras noites quebrava pedra para uso em alicerce de construções, ganhando os meus trocados.
Sempre gostei de ler. E era com essas pequenas atividades que conseguia os meus recursos para aquisição do meu material de leitura, revistas infantis e livros.
Em Viçosa, permaneci até 1938, quando retornei a Rio Branco, lá permanecendo até 30 de novembro de 1944, quando me transferi, nessa data, para a cidade do Rio de Janeiro, então Capital da República, lá residindo por 24 anos.
Em Visconde do Rio Branco, certo dia, no ano de 1933, consegui um caixote e dele fiz uma caixa de engraxate e saí em busca de fregueses para, engraxando sapatos, adquirir recursos financeiros que pudessem sustentar minhas duas paixões: comprar minhas revistas de estórias infantis e contos policiais e ir ao cinema. Nos dias de festas religiosas, postava-me nas entradas da cidade, acesso natural dos moradores da zona rural que, nesses dias, vinham à cidade para participarem das festividades religiosas, e engraxava os sapatos dos que se interessavam.
Também em Visconde do Rio Branco, fiz o curso ginasial no Ginásio Rio Branco, do qual eram proprietários e diretores o Dr. Antônio Pedro Braga e o Dr. Paulo Infante Vieira. Graças à generosidade do Dr. Antônio, pude cursar o ginásio, pois, como criança pobre, não o poderia fazer.
Em fins de 1938, comecei a frequentar as aulas de preparação para o exame de admissão, que eram ministradas no Salão Nobre do Ginásio pelo Professor Dioguinho.
Lembro-me bem: possuía um par de sapatos que se encontrava em péssimo estado, com o solado praticamente solto. Por isso, compareci à primeira aula descalço. O professor, mui discreta e reservadamente me disse que eu não podia ir descalço às aulas. Passei, então, a levar os sapatos enrolados em jornal até a entrada da escola, e lá, desenrolando o embrulho, tirava os sapatos e calçava-os, caminhando devagarzinho até a sala de aula.
Meu pai se encontrava trabalhando em Tocantins, MG, e havia já algum tempo que não dava notícias. Certo dia, porém, retornou e pude então mandar consertar os sapatos. O Sr. Amador, que zelava pelo jardim da praça principal e que, nas horas vagas também exercia a profissão de sapateiro, fez o reparo e ai eu pude voltar a calçar e andar tranquilamente. Entretanto, até os 19 anos andei descalço a maior parte do tempo, por não ter recursos para a aquisição regular de calçados.
Ainda no ginásio, adquiri um par de tênis e passei a frequentar as aulas com ele. Alguns dias de uso constante, coitados dos meus colegas!
Terminei o curso ginasial em 1942.
Nesse ano, no entanto, surgiram-me sérias dificuldades. Dr. Antônio Pedro Braga e Dr. Paulo Infante Vieira venderam o ginásio para o Prof. J. Barroso Júnior, egresso de Viçosa.
A partir daí, tive de trabalhar na secretaria da escola, ajudando a secretária, Srta. Maria Brígida Flores. Além do serviço interno, a minha atividade consistia principalmente em levar às casas dos alunos os boletins mensais com os resultados das avaliações dos trabalhos escolares do mês, inclusive as notas das provas parciais.
Certo dia, o diretor, Prof. J. Barroso Júnior, teve de ausentar-se, deixando em seu lugar o Prof. Boanerges de Castro Barbosa.
De acordo com o regulamento da escola, no que dizia respeito à secretaria, a responsável era a Secretária. Em um determinado dia, tive necessidade de faltar ao trabalho. Solicitei a dispensa à Secretária, que me autorizou a ausência. Não podia imaginar que a dispensa desencadearia uma tempestade com raios e trovões, vindo a acarretar a cassação do meu direito de terminar o curso como bolsista. O Prof. Boanerges sentira-se hierarquicamente desprestigiado, e não fora esta a minha intenção. Era já o final do ano de 1942.
Certa tarde, os meus colegas compareceram à minha residência, quase todos, e me ofereceram ajuda, dizendo-me o seguinte: “Expedito, nossos pais nos dão uma pequena mesada, e nós resolvemos abrir mão dela, se você aceitar, pagando o necessário para que você termine o curso conosco”. Aquele gesto me tocou as fibras do coração. Muito embora sensibilizado e emocionado, não aceitei o oferecimento, não por orgulho, mas por entender que não devia sacrificar os meus colegas, transferindo-lhes a solução do problema que desavisadamente criara. Ficou, no entanto, a gratidão que se renovou nesses anos todos da minha vida, e continuará a fazê-lo pela existência afora.
Alguns dias após, uma menina, também aluna do Ginásio Rio Branco e bolsista da Prefeitura, informou à minha mãe que ia mudar-se de Visconde do Rio Branco, e minha mãe certamente falou-lhe a meu respeito e ela prometeu sugerir que fosse transferida para mim a sua bolsa de estudos. Com certeza, a jovenzinha e, sobretudo, a minha mãe foram um instrumento de Deus em meu socorro. Realizada a transferência da bolsa, voltei à escola, apesar de três provas finais já terem sido realizadas. Consegui fazê-las, acompanhando a turma. E assim terminei os meus estudos ginasiais, fazendo parte da primeira turma que concluíra o curso com 04 anos.
Nesse ano, outra turma terminaria com 05 anos. É que entrara em vigor a reforma do ensino promovida pelo Ministro da Educação, Dr. Gustavo Capanema. Esse 01 ano foi acrescido ao curso complementar de 2 anos, que, na época, permitia o acesso direto às Escolas Superiores, criando-se, a partir de então, o curso clássico ou científico (colegial) desmembrado das escolas superiores e obrigatório para acesso ao ensino superior, mediante vestibular.
Visconde do Rio Branco, como ocorreu nas demais cidades do interior, não implantou, de pronto, os cursos clássico e científico. Os jovens, com recursos financeiros, demandaram às capitais, a fim de continuarem os estudos preparatórios ao ingresso às escolas superiores.
Sem condições de fazê-lo, interrompi os meus estudos, só vindo a reiniciá-lo 14 anos mais tarde.
Com relação à minha turma de ginásio, cabe-me ainda a seguinte lembrança: em 1992, sob a inspiração, preparação e organização do colega de 1942 e amigo de sempre, Geraldo de Oliveira, reuniram-se os ex – alunos, no dia preestabelecido, sob a presidência do antigo diretor do Ginásio Rio Branco, Dr. Antônio Pedro Braga, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que nos entregou, um a um, um diploma expedido pelo Ginásio Rio Branco, com o seu símbolo, comemorando aquele encontro dos “Adolescentes de 1942”, assim, o Geraldo cognominara os colegas do passado que se reuniam naquele momento.
Tive, nessa noite memorável, o ensejo de reparar um imperdoável esquecimento. Será que reparei mesmo? Coube-me, para minha felicidade, o ensejo de saudar ao Dr. Antônio Pedro Braga e, nesse momento, pude externar-lhe, de público, a minha gratidão que, silente, morava comigo, por fazer parte de uma época das mais importantes de minha vida: o curso ginasial fora o alicerce sobre o qual eu construí tudo o mais que hoje faz parte da minha cultura e da minha existência.
Em 1999, enquanto eram tomadas as providências para o encontro comemorativo das BODAS DE OURO da conclusão do Curso Ginasial, também como ato preparatório, graças à gentileza do diretor do jornal Visconde do Rio Branco, jornalista Kleber Silva Lima, foi publicado o seguinte artigo:

Os adolescentes de 1942
Fecho os olhos e, atiçando a memória, volto no tempo nas asas da saudade.
Vejo-me em 1939, no velho casarão da Rua do Rosário que, entre suas paredes, guardava a recordação da visita do Imperador Dom Pedro II.
Estávamos lá, as crianças de 1939, para iniciarmos uma guerra santa contra a nossa ignorância. Essa nossa batalha seria dirigida por Dr. Antônio Pedro Braga, secundado por Dr. Paulo Infante Vieira, comandando o seu exército aguerrido e preparado para o combate tenaz e persistente à nossa inciência.
E, a pouco e pouco, fomos sendo apresentados a cada um deles, D. Antonieta Braga Vieira que, pacientemente, nos ensinava Francês e Desenho, Dr. José Teixeira Costa, Matemática e Latim, Dr. Benjamin Braga Filho, História, Dr. Diogo Braga Filho e Dr. Boanerges C. Barbosa, Ciências, Dr. Gastão de Almeida, Português, Dr. Gerardo Reis, Inglês, Dr. Antônio Pedro Braga, Geografia.
À medida que os dias iam passando, crescia entre nós, do Arnaud ao William, um sentimento fraterno de verdadeira amizade que o tempo, longe de destruir, mais fez aumentar.
O ano de 1939 deixaria em cada um de nós não apenas a marca do início de nosso curso ginasial, mas também, a da eclosão da II Guerra Mundial, que ensangüentaria os solos da Europa, da África e da Ásia, numa demonstração da capacidade destruidora do homem. E essa ferocidade da besta humana acontecia ou se iniciava na Europa, o berço da civilização. Mesmo distantes do teatro bélico, acompanhávamos o desenvolvimento dos combates e das invasões e tomávamos partido, naturalmente conduzidos pelas simpatias que as nações envolvidas nos despertavam. Deixávamo-nos envolver pela voz de Heron Dominguez, do Repórter Esso – o primeiro a dar as últimas (seu slogan).
A nossa vida de então se realizava entre a sala de aula, o pátio, onde jogávamos bola e a gameleira, onde nadávamos. Quantas vezes, a natação substituíra a aula!
1939, 1940, 1941 e, por fim, 1942. A nossa batalha chegava a seu termo. Seríamos a primeira turma a encerrar o ginásio com quatro anos. Nesse ano, duas turmas, uma com quatro e outra, com cinco anos de estudos, terminavam seus estudos ginasiais. A reforma do ensino determinada pela Lei Gustavo Capanema tirava do curso ginasial um ano que seria acrescentado aos dois do Curso Preparatório existentes nas Escolas Superiores, a fim de formar os cursos científico e clássico de três anos.
Essa reforma estabelecia a obrigatoriedade da freqüência às práticas de Educação Física. E a nossa turma era tão unida que, em sua maioria, foi obrigada a fazer segunda época de todas as disciplinas. Os adolescentes de 1942 – a maioria – terminaram o ginásio em janeiro de 1943, se não me falha a memória. Éramos realmente unidos, alguns mais que outros. Brincávamos, mas estudávamos também.
Em 1942, Dr. Antônio vendeu o Ginásio Rio Branco a J. Barroso Júnior. Sentimos muito a mudança da direção. Élzio Costa – o João Batista -, expressando o nosso sentimento fez uma adaptação da letra de Amélia, de Ataulfo Alves, em homenagem ao Dr. Antônio: “O Dr. Antônio não tem a menor vaidade, o Dr. Antônio é que era diretor de verdade”...
Eu, pessoalmente, devo muito a Dr. Antônio Pedro Braga. Não fora a sua magnanimidade d’alma e bondade de coração, eu não teria realizado os meus estudos ginasiais. É por isso que a homenagem que o Élzio lhe prestou calou fundo em minha alma e, na oportunidade, pude também fazê-la minha.
Retorno a 1992. Será bom, muito bom, reencontrarmo-nos, os adolescentes de 1942, marcados pelo tempo em nossa roupagem física, mas ainda jovens na alma, apesar de tudo. O tempo marcou-nos o corpo, mas não pôde fazer o mesmo com a alma que ainda sonha e recorda e, na reminiscência, vive uma segunda e muitas vezes a vida que já foi vivida.

Em 1943, inscrevi-me no Tiro de Guerra 65, sob o comando do então Sargento Antônio Alves da Silva, conhecido pela população como Sargento Alves, figura admirável de homem e de militar que exercia a autoridade sem autoritarismo. E, em 1993, sob a direção do colega reservista, Luiz Gonzaga Pereira de Barros, reunimo-nos, os atiradores de 1943, no mesmo local onde um ano antes havíamos estado comemorando o cinqüentenário de formatura ginasiana, agora para a comemoração dos nossos 50 anos de reservistas, recebendo um certificado passado pelo comando militar do Exército de Juiz de Fora.  
Ainda em 1943, a nossa vida, minha e de meus pais, sofreria mais um revés. Meu pai foi vítima de um AVC e, naturalmente, não tinha condições de trabalhar. Morávamos nesse tempo em um cômodo existente no quintal da casa de um seu amigo, em conseqüência de uma fase aziaga de nossas vidas. Meu pai, com o derrame, perdera a fala e os movimentos do lado direito, braço e perna. Não possuíamos nenhuma economia. Foi uma fase difícil. Desde que concluíra o ginásio, estava procurando emprego, e não o encontrava. Felizmente, no entanto, certamente por inspiração divina, procurei o tintureiro Luiz Moura e ele me aceitou como auxiliar para fazer a apanha de roupas para lavar, a entrega das mesmas, cobrança e inclusive passar ternos, que tive de aprender, pagando-me pelo serviço Cr$20,00 (vinte cruzeiros), por semana. A moeda cruzeiro viera substituir os mil réis, em 1942. A inflação monetária é uma velha companheira dos brasileiros, que ainda não aprenderam a exorcizá-la definitivamente. É que no Brasil “todo mundo quer viver às custas do estado, esquecendo-se de que o estado vive às custas de todo mundo”, conforme o pensamento de um economista e pensador europeu, do século XIX.
Com esse emprego provisório, pude colaborar com a economia domestica. Algum tempo depois, mudamo-nos para um galpão existente em uma rua atrás da Igreja Matriz, no centro da cidade, cedido graciosamente por uma amiga de minha mãe, ligadas pelos laços da Religião Católica, que ambas professavam.
A minha atividade de Atirador continuava.
Por ocasião da chamada identificação do atirador, pouco antes da vinda do Tenente Identificador, fomos mandados ao fotógrafo da cidade para as fotografias necessárias. Enquanto aguardávamos a vez de sermos fotografados, alguns companheiros começaram a brincar com a toalha que revestia a mesa da sala de espera do fotógrafo, uma peça de bordado finamente elaborada, jogando-a para o alto. Encontrava-me do lado de fora. E a brincadeira de mau gosto dos colegas acabou por produzir dano material na peça.
Na noite seguinte, quando estávamos na sede para a aula instrutória que ocorria às noites, logo no seu início, o Sargento me fez a seguinte pergunta: “7, quem foi que danificou a toalha de mesa da sala do fotógrafo”? Respondi-lhe de pronto: não sei. Fez a mesma pergunta a outros atiradores que responderam a mesma coisa. Em seguida, o Sargento, visivelmente aborrecido, declarou o seguinte: “vou perguntar mais uma vez, e se, não obtiver a resposta que eu quero ouvir, eu expulsarei o atirador”. E novamente me dirigiu a pergunta, obtendo a mesma resposta. Incontinente, expulsou-me. Fiz a continência de praxe, pedi licença para retirar-me, fui para minha casa, troquei de roupa, e virei paisana e fui passear no jardim da praça principal, ponto de encontro dos rio-branquenses.
A sede do Tiro de Guerra 65 era numa casa ao lado da Igreja Matriz. Na manhã seguinte, quando já me encontrava na tinturaria, veio um mensageiro, um atirador, e me disse: vem, o Sargento o está chamando. Incontinente, fui. Em lá chegando, disse o Sargento: 7, já descobri os nomes dos responsáveis. Você está reincorporado ao grupo.
Há ainda um registro que julgo importante. Uma manhã, logo na abertura da instrução militar, a turma perfilada, o Sargento determinou que se cantasse o Hino Nacional, e os atiradores obedeceram, todos, menos eu, e aí grita o Sargento: “7, cante”. Eu comecei. Alguns versos depois, gritou ele, de novo: “7, cale a boca”. Descobri ai, que a melhor homenagem que posso prestar civicamente ao hino nacional é ficando calado.
Em 1944, fiz um concurso para ingresso como funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais S/A – agência da cidade-, logrando êxito, trabalhei, nessa agência, aproximadamente 10 meses e 27 dias, ou seja, 02 de janeiro a 27 de outubro desse ano.
No banco exercia as seguintes atividades: varria e lavava as dependências externas e internas diariamente, apanhava as correspondências na Agência do Correio local, também diariamente. As correspondências recebidas, distribuindo-as às várias seções para as providências necessárias, as da gerência eram colocadas na mesa do gerente. À noite, depois de encerrada a atividade bancária, distribuía numa mesa grande as correspondências (cartas, memorandos, ordens de pagamento) expedidas pela agência, de acordo com os destinatários, envelopava-as, selava-as para, em seguida, entregarem-nas aos Correios. Também atividade diária.
Começava a minha atividade bancária diária às 6:30h e a encerrava, geralmente, a 1:00 hora da manhã. Às 6;30h, varria e lavava as dependências, inclusive o banheiro, em seguida pegava a correspondência que devia ser postada, separava também a que devia ser entregue aos clientes locais, tudo isso depois de haver telefonado para a estação ferroviária para saber qual o atraso do expresso da Leopoldina, a que horas estava prevista a sua chegada. O atraso era normal. Se acontecesse de em um dia chegar no horário é que estava atrasado 24 horas.
À tarde, saía para entregar a correspondência destinada aos clientes, levar duplicatas para aceite e recolher as que já se encontravam reconhecidas pelos sacados (clientes).
Em chegando ao banco, retornava à faina interna de todas as tardes, ou seja, passava a organizar o arquivo, encadernando as correspondências já liberadas e colocando os cadernos em ordem, em estantes apropriadas. E, assim, nessa azáfama ia-se a minha vida de funcionário bancário de salário mínimo, salário mínimo bancário, mas salário mínimo.
E, durante esse tempo de atividade bancária, ia ouvindo recriminações do gerente por qualquer erro ou falha, ainda que mínima. E isso se repetia a miúdo.
Certa feita, lembro-me como se estivesse ocorrendo agora: um colega havia sido convocado pelo Exército para, como expedicionário, ir fazer parte das tropas brasileiras na Europa na luta contra o nazismo. Os colegas se cotizaram para oferecer-lhe uma ceia de despedida e convidaram-me para também fazer parte das homenagens. Terminado o ágape, saímos todos.
O bar onde houvera a confraternização ficava ao lado da agência bancária, o que me possibilitou ver que a porta de aço do banco estava destravada e um pouco levantada. Meu coração disparou e eu imediatamente me julguei responsável pela possível negligência em não haver travado a porta. Levantei-a sobressaltado e entrei para verificar se havia algo sério. Nesse comenos, o gerente saindo de seu gabinete veio em minha direção aos berros, sem motivo algum . Eu saí e ele me acompanhou, agredindo-me com palavras ásperas e ofensivas sem que até hoje eu soubesse o porquê.
Aquela noite, que me tinha sido tão agradável, ao ver que os colegas me consideravam, a mim contínuo, como um funcionário igual a eles, de repente perdeu toda a magia, transmudando-se em uma borrasca prenhe de trovões e raios coriscantes.
No dia seguinte, procurei Dona Sinhá Vitarelli Costa, que me tinha como sobrinho, porque minha mãe havia morado muitos anos na casa de sua mãe, Maria Vitarelli, que considerava minha mãe como filha, a quem eu chamava de vovó, e também Dona Sinhá e os irmãos consideravam a minha mãe como sua irmã. Como ela havia intercedido por mim junto ao Gerente, procurei-a, colocando-a a par do que me ocorrera desde que fui admitido como funcionário e também o acontecimento da véspera e disse-lhe que ia apresentar o pedido de demissão. Ela concordou com a minha decisão e eu me demiti.
O interessante é que, com a minha retirada, contrataram três novos funcionários para fazer o serviço que eu fazia sozinho. Apesar de tudo, aquele gerente me ensinou a trabalhar, e, quando eu fui para o Rio, já no primeiro emprego pude demonstrar certa capacidade funcional que me abriu as portas, facilitando a minha aceitação pelos demais funcionários.
Deixando o banco, no começo de novembro, viajei a Viçosa com o fito de espairecer-me e descansar.
Foi nesse ano de 1944, e no mês de novembro que conheci aquela que viria a ser minha esposa.
Lá, pelo dia 27, se não me falha a memória, recebi de Visconde do Rio Branco um chamado para procurar o inspetor do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais S/A, que me aconselhou a retirar o pedido de demissão e aceitar a minha transferência para outra agência. Agradeci muito ao Sr. Juracy Levy e mantive a minha demissão. Nesse ínterim, Geraldo de Oliveira solicitou à sua mãe que me emprestasse Cr$100,0 (cem cruzeiros).
No dia 30 de novembro de 1944, parti às 7 horas para o Rio de Janeiro pelo expresso da Estrada de Ferro Leopoldina, lá chegando por volta das duas horas da madrugada seguinte.
Deus sempre esteve presente em minha vida, aplainando os caminhos e me mostrando o rumo, apesar de, muitas vezes, não haver reconhecido a sua presença nas suas providências.
Viajara para o Rio, sozinho e sem nenhum endereço. Havia um parente meu que morava no Rio, mas desconhecia onde morava. E, agora, havia chegado ao Rio. O que fazer? O condutor do trem, cognominado Valdir, que era casado com uma moça de Visconde do Rio Branco, tendo tomado conhecimento durante a viagem da minha situação, ao chegarmos à estação de Barão de Mauá, chamou-me e disse-me que ia levar-me para sua casa, onde permaneci por dois ou três dias. Com alguns endereços de firmas que estavam contratando empregados, que constavam dos classificados do Jornal do Brasil, saí de sua casa rumo ao centro, e em busca de emprego.
O mês de dezembro foi dificílimo. Com pouco dinheiro, hospedei-me em uma hospedaria, ambiente promíscuo que recebia todo tipo de pessoas. Ao ingressarmos para dormir, deixávamos na portaria os objetos de valor que portássemos e, muitas vezes, durante a noite, éramos acordados pela polícia atrás de algum meliante.
A minha alimentação, fazia-a num restaurante Chinês situado na Praça Tiradentes, a refeição mais barata do Rio de Janeiro, mais barata que a oferecida pelo governo aos trabalhadores na Praça da Bandeira. Esse restaurante, de chinês só tinha o nome, a refeição era brasileira, e a pior. Almoçava, geralmente, arroz e ovo. Ainda ouço a voz do chinês gritando para a cozinha, quando eu trocava um prato pelo ovo: “sai um ovo talado nom?” Durante uns dois meses, talvez mais, esse restaurante do China (chamavam-no assim), foi o lugar onde me alimentei.
Contava 19 anos de idade, e o Brasil estava em guerra contra a Alemanha. Apesar de ser filho único e considerado arrimo de família, os empregadores descartavam a possibilidade de me contratarem, temendo naturalmente a minha convocação. É que se me contratassem e eu fosse convocado, teriam de guardar a minha vaga para quando eu voltasse, se voltasse. A lei do arrimo de família poderia ser mudada e, como se sabe, no Brasil, nenhuma lei garante coisa alguma, principalmente porque estávamos, naquele tempo, sob o império da ditadura Vargas, que se autodenominava Estado Novo.
E ainda guiado por Deus, descobri o endereço do Dr. Fortunato Barreto Mesquita, advogado, natural de Visconde do Rio Branco e que fora Inspetor Federal no Ginásio Rio Branco, e ele me encaminhou ao escritório do advogado, Dr. Jaime Bastian Pinto, e lá procurasse sua Secretária, Dona Hilda, que me encaminhou ao consagrado poeta Augusto Frederico Schmidt, por intermédio de quem consegui emprego em uma de suas empresas, Instaladora de Frio Ltda., firma que construía e instalava balcões frigoríficos e geladeiras comerciais, fabricadas em madeira. No dia 10 de janeiro desse ano da graça de 1945, comecei a trabalhar no escritório situado na Av. Mem de Sá, próximo à Cruz Vermelha.
Quando me apresentei para o trabalho, fui recebido com muita reserva pelos demais empregados, tanto os do escritório quanto os da oficina, pelo fato de eu haver sido encaminhado por um dos sócios da empresa. Achavam que eu lá ia, exclusivamente para marcar o ponto e receber o salário.
O difícil aprendizado adquirido no banco veio a calhar e eu pude mostrar serviço, organizando o arquivo, o almoxarifado, estabelecendo o levantamento do custo da instalação de uma geladeira ou de um balcão frigorífico e ainda secretariando o engenheiro Emil Ludwing, datilografando suas correspondências redigidas em Inglês. Causei boa impressão.
Poucos meses depois fui transferido para a fábrica de geladeiras e balcões frigoríficos fabricados em madeira de lei, instalada na Estação do Rocha, subúrbio da Central do Brasil. Fui com a missão de fazer o levantamento do custo exato de cada geladeira e balcão que lá fosse fabricado. Felizmente, consegui cumprir a tarefa.
Assim que comecei a trabalhar na Instaladora de Frio, encontrei, por acaso, com um conhecido de Visconde do Rio Branco, que me deu o seu endereço, convidando-me para visitá-lo. Morava em Botafogo na casa de uma Senhora, minha conhecida de Viçosa e muito amiga da minha prima Cidinha. Ela me forneceu o endereço da Cidinha, que me foi de muita valia. Nos primeiros dias desse emprego, eu morava na Rua Taylor, na Lapa, na casa de uma senhora Argentina. Minha cama era um colchão e o meu guarda roupa, um barbante esticado de parede a parede. Meu café da manha era uma média (xícara maior) com café com leite, pão e manteiga, que se repetia no almoço e no jantar.
O garçom que me atendia compreendeu a minha situação financeira e, espontaneamente, deixou de cobrar-me o fornecimento.
Era o meu primeiro mês no emprego. Não havia recebido nenhum salário ainda. Com a descoberta do endereço da minha prima, esta me convidou a tomar refeições em sua casa sita na Rua da Passagem, em Botafogo. Aceitei, e, com satisfação, todos os dias, à hora do almoço, pegava o bonde no Tabuleiro da Baiana – Largo da Carioca – e ia a Botafogo.
Algum tempo depois, já estabilizado no emprego, consegui uma vaga na pensão do Sr. Armindo (português), em um prédio localizado na Av. Passos, em frente à Federação Espírita Brasileira, com acesso pela Travessa Belas Artes. Fornecia moradia e refeição.
Mudei-me para lá, onde permaneci até 1949 como inquilino. As refeições, no entanto, algum tempo depois deixou de fornecê-las, em virtude de um movimento grevista encabeçado por um jovem que se rebelou contra o aumento do seu preço. O Sr. Armindo, pura e simplesmente deixou de fornecer a alimentação. Era um sábio, o Sr. Armindo.
As refeições, passei a tomá-las na pensão de Dona Maria Pinto, localizada na Av. Gomes Freire. Permaneci como pensionista até 1949.
Guardo uma boa recordação dessa fase de minha vida.
D. Maria Pinto, a pensionista, tinha três filhos, um rapaz, homem feito, e duas meninas encantadoras, Olívia (Bibinha) e Elza, de, mais ou menos, 9 e 10 anos, respectivamente.
Domingo, sim, domingo, não, saía com as duas a passeio.
Dava gosto, ver nos rostos das moças, com quem entrecruzávamos a admiração e o espanto ao verem-me um jovem de 21/22 anos, aparentando menos ainda, com “filhas” já tão crescidas.
Eram crianças encantadoras, educadas, obedientes, respeitosas. Entraram na minha vida, iluminando-a, e depois saíram. Nunca mais as vi.
Essa experiência de rapaz pobre, longe de casa, marcaria em definitivo a minha vida, levando-me a avaliá-la melhor, bem como a valorar objetivamente aquelas duas pessoas (meu pai e minha mãe) que, além de me haverem dado a vida, deram-me também as condições morais para enfrentá-la e vencê-la ou, pelo menos, não deixar que ela me vencesse.
Lá, na Instaladora, trabalhei um ano e sete meses, quando me chamaram para trabalhar em outra firma do mesmo grupo de empresários, ou seja, na SEPA SOCIEDADE COMERCIAL LTDA., onde fiquei por 22 dois anos. Mais tarde, chamar-se-ia SEPA S/A EXPANSÃO COMERCIAL.
Nessa empresa, conheci e convivi diretamente com pessoas importantes tanto da política, quanto da música, do cinema, do rádio, da televisão e do esporte.
O diretor da SEPA e sócio principal era o Dr. Luiz de Freitas Valle Aranha, conhecido como Dr. Luiz Aranha, chamado pelos mais íntimos de LULU, irmão do chanceler Dr. Oswaldo Aranha, que foi, alguma vezes, Ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, tanto no chamado Estado Novo quanto na fase democrática. Em 1954, era Ministro da Fazenda. Dr. Luiz era um homem inteligente que, segundo meu ponto de vista, afastou-se da política para deixar campo livre para o seu irmão que amava essa atividade. Dr. Luiz dedicou-se ao esporte, sendo chamado de “Patrono do desporto brasileiro”. Certa feita, a Argentina e o Brasil romperam as relações esportivas e o Dr. Luiz foi chamado para intermediar o affair, conseguindo, ao entrar em contato com o prócer argentino, Alphonso Doce, restabelecer a amizade desportiva depois de muitos encontros aqui e na Argentina. No Brasil, os encontros aconteciam nos escritórios da SEPA que, na verdade, era um ponto de encontro de literatos, esportistas, políticos e artistas. De quando em quando, Dr. Luiz também ia à Europa como representante do esporte brasileiro. Botafoguense de primeira linha, era um dos conselheiros do Botafogo, e foi seu Presidente.
Augusto Frederico Schmidt, chamado de Dr. Schmidt, também botafoguense, era outro sócio e diretor da empresa. Empresário conceituado, também um escritor consagrado e festejado poeta, mais tarde no governo Juscelino Kubitschek, revelar-se-ia um excelente político e o inspirador da frase “cinquenta anos em cinco”.
Esses dois, principalmente, não foram apenas meus patrões, mas meus benfeitores.
A firma era frequentada por Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, que também se fazia presente na SEPA, além de Ary Barroso, Grande Otelo, Carlos Machado, chamado de “o dono da noite”, por ser o dono da “Boite Night and Day” e apresentar espetáculos maravilhosos, alegrando as noites cariocas, também freqüentavam a Sepa os cantores Orlando Silva e Carlos Galhardo, Carlito Rocha, uma figura marcante do Botafogo, João Havelange, que foi presidente da FIFA, e muitos outros.
O Presidente Juscelino, depois de eleito em 1960 e às vésperas de sua viagem a Europa, comportamento usual dos presidentes recém eleitos de então, esteve na SEPA e lá almoçou ao lado do Dr. Luiz, de quem era amigo. A empresa possuía uma cozinha para atendimento da diretoria, convidados e funcionários.
Comecei na SEPA como auxiliar geral, passando depois a auxiliar de escritório, posteriormente auxiliar de contabilidade e, em seguida, chefe de departamento (recebimento e entrega de mercadoria). A firma trabalhava com material de construção. Mais tarde vim a ser assessor jurídico da empresa.
Como auxiliar geral, iniciei minhas atividades como cobrador externo, visitando os fregueses para receber as faturas provenientes das compras que haviam feito na firma. Graças a esse serviço, vim a conhecer a cidade do Rio de Janeiro.
Em 1949, no dia 06 de setembro, convolei núpcias com Terezinha Barduni Leão, com quem estou consorciado até hoje. Tivemos cinco filhos, Maria do Carmo Leão Oliveira, casada com Antônio Moisés Oliveira, que nos deram Lorenza, Gabriel, e a bisneta Luísa; Maria Teresa Leão Magalhães, casada com José Geraldo Rivelli Magalhães, que nos deram Graziella, Daniela, Rafael e Isabela; Maria Luíza Leão; Expedito Luiz Leão Júnior, casado com Eliane da Silva Leão, que nos deram Victor, Vinício e Giovani e Maria Cristina Leão Ferreira, casada com Francisco Alves Ferreira, que nos deram Luale e Laíce.
Em 1956, depois de uma viagem a Viçosa como carona do Padre Antônio Mendes, Capelão da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, hoje, UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, fui incentivado por ele a voltar a estudar. Regressando ao Rio - era final de março - os conselhos recebidos do Padre Mendes voltaram-me à memória e, imediatamente, procurei em sua residência o Sr. J. Mourão Filho, dono do Colégio Cardeal Leme, sediado em Olaria, subúrbio da Leopoldina, a fim de conseguir uma vaga no Científico, porque o ano letivo já havia se iniciado e as matriculas estavam encerradas. Atendeu-me cavalheirescamente, mandando-me procurar o diretor do curso noturno, Prof. Norões, o que fiz na noite seguinte, matriculando-me. Quatorze anos haviam se passado desde o término do curso ginasial. As dificuldades foram imensas em Matemática, Física e Química. Não obstante estas, insisti e venci todas as dificuldades e três anos depois encerrava o curso científico. No convite de formatura, vinha um pensamente de São Francisco Xavier “devemos estudar como se fôssemos viver eternamente e rezar como se fôssemos morrer agora”. Fiz deste o meu lema de vida.
Preparei-me em casa para o vestibular. Fazia dezessete anos que eu estudara Latim, e no vestibular haveria a prova de Latim. À medida que estudava as declinações, verbos e traduções, pedia à minha esposa que me acompanhasse ao recordar as lições, esclarecendo-lhe que, em Latim, todas as letras são pronunciáveis. Minha esposa foi minha coadjuvante e examinadora para avaliarmos o que tinha aprendido de LATIM e o que faltava aprender.
Em janeiro de 1959, fiz o vestibular e, mercê de Deus, logrei classificação, iniciando o curso de bacharelado em Direito.
Em 1961, idealizei um programa de Direito para televisão. Chamei o colega Pablo José Ruiz Torres, um colombiano, para participar comigo na criação desse programa. E o fizemos com a colaboração do Juiz Dr. Cláudio Viana de Lima, Professores Heleno Cláudio Fragoso, Célio Oliveira Borja, Luiz Ivani Amorim. Registramo-lo na Biblioteca Nacional.
Em seguida, procurei o meu amigo Silvino Neto, radialista, artista e compositor, solicitando a sua ajuda junto à Televisão a fim de conseguir um espaço para um programa sobre Direito. Nessa época, existiam três estações de Televisão, a TV Continental, a TV Rio e a TV Tupi. A Globo ainda estava se organizando. Silvino contatou o superintendente da TV Continental, Sr. Costa Leme, e consegui um espaço de 15 minutos numa terça feira, às 23:00h, transferido depois para quinta feira com aumento do tempo de duração. No dia programado, iniciamos o programa numa apresentação de gala, com toda a equipe distribuída no palco, inclusive com os professores que nos dariam a assistência técnica jurídica. Era nosso diretor técnico o funcionário da Continental de nome Alfredo Conca. Foi o primeiro programa sobre Direito apresentado pela Televisão no Rio de Janeiro, quiçá no Brasil. Chamava-se EM DIA COM O DIREITO, programa apresentado pelos alunos do 3º ano da Faculdade de Direito Cândido Mendes. Era como se apresentava. Coube-me a apresentação semanal do programa, bem como a sua preparação e organização.
O sucesso do programa foi muito grande, com grande aceitação e recebendo inclusive menção honrosa do Instituto dos Advogados do Brasil e elogios da imprensa especializada.
Impressionou tanto o apresentador de Televisão Flávio Cavalcanti, da TV TUPI, que ele criou um programa sensacionalista com o nome de Sua Majestade a Lei.
Infelizmente, alguns meses depois da sua apresentação, com o agrado geral, sendo eu transferido do escritório da empresa onde trabalhava para outro departamento afastado do escritório, com horário e trabalho diferentes, vi-me forçado a interromper as apresentações do programa.
Lembro-me que o superintendente lamentou muito o encerramento das transmissões, principalmente depois do sucesso do JURI SIMULADO, que apresentamos com a presença e participação de pessoas da sociedade carioca, principalmente advogados de grande projeção profissional, entre os quais se encontrava o advogado criminalista de renome, Dr. Alfredo Trajan, no julgamento de um processo verdadeiro já julgado no Tribunal do Júri, com jurados escolhidos entre pessoas da comunidade, que compareceram ao programa como convidadas.
O júri terminou de madrugada, e o veredito foi idêntico ao proferido pelo Tribunal do Júri, apesar de os jurados do Júri Simulado desconhecerem o resultado daquele Tribunal .
Esse júri simulado estava programado para acontecer no I TRIBUNAL DO JÚRI DO TRIBUNAL DO JÚRI do Rio de Janeiro, com o consentimento de seu Presidente. Seria uma novidade televisiva, transmissão externa, ou seja, fora do estúdio de televisão. Às 18 horas do dia aprazado, e fartamente noticiado pela imprensa do Rio de Janeiro, o caminhão da TV Continental chegava às portas do Palácio da Justiça para os preparativos necessários. Estávamos no pioneirismo das transmissões externas. Os espectadores começavam a chegar, inclusive os convidados. Um imprevisto, no entanto, surgiria obstaculando a apresentação. Um oficial de justiça, encanecido pelo tempo, procura o Presidente do Tribunal do Júri, substituto, pois o efetivo, Desembargador Oscar Tenório, encontrava-se na Europa, e lhe diz que era muita perigosa aquela transmissão por ser o Prédio muito antigo e velhas as instalações elétricas, sendo muito potentes as máquinas que iriam transmitir, podendo produzir um curto circuito na fiação elétrica. O presidente aceitou a advertência e sem averiguar de como seria realizada a transmissão, sem nenhuma ligação elétrica com o velho casarão, cancelou a sua licença, proibindo a transmissão. De nada valeram as explicações dos técnicos da TV Continental, a proibição foi mantida. O meu mundo caiu. Nessa altura, grande era público que viera assistir o JÚRI simulado, uma verdadeira aula de direito penal, em tudo idêntico ao julgamento com os que se realizavam costumeiramente naquela Casa da Justiça. Por alguns instantes, fiquei sem ação. De repente, no entanto, levantei a cabeça, chamei o colega Henrique Jesuíno Guimarães e lhe perguntei se ele poderia ir até a TV CONTINENTAL, nas Laranjeiras, e perguntar ao Sr. Costa Leme, se lhe seria possível preparar o cenário de júri para a Continental apresentar do estúdio O JULGAMENTO SIMULADO.
O Henrique tinha tido até aquele momento uma grande participação na divulgação para a realização desse Júri. Era funcionário da CIVIA, que trabalhava com administração e venda de imóveis, sendo o encarregado de promover a propaganda das atividades da empresa na imprensa carioca. Por esse motivo tinha trânsito livre em todos os jornais e revistas do Rio. Com esse seu conhecimento, pôde divulgar em todos os jornais essa iniciativa do programa Em Dia Com o Direito, quase que diariamente, além das chamadas realizadas pela própria estação de televisão. O Henrique, mais uma vez, colocou-se em atividade e foi presto até o Sr. Costa Leme, que atendeu prontamente o apelo que lhe fizemos e mandou preparar o estúdio e, às 23:00h, foi iniciada a grande aula cívico- jurídica, realizada por estudantes do 3º ano da Faculdade do Direito da Cândido Mendes. Foi um sucesso. Às 3:ooh da manhã, quando passava na Praça da República, em frente ao então Palácio da Guerra, o pequeno jornaleiro gritava a plenos pulmões, vendendo o jornal O DIA: “Extra, extra, júri de estudantes, qual júri de verdade, vara a madrugada. Vejam aqui, comprem o Dia”.
Em l963, terminei o bacharelado em Direito. Em 1964, matriculei-me no curso de Doutorado em Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, terminando em 1965.
No período acadêmico, ou seja, durante o curso de Direito fiz dois amigos que entraram na minha vida para ficar: Gilberto Dantas e Henrique Jesuíno de Carvalho Guimarães. Concluído o bacharelado, montamos, em sociedade, um escritório de advocacia, na Av. Franklin Roosevelt, Esplanada do Castelo. O Gilberto e eu continuamos os estudos, cursando o doutorado em Direito Penal, na Faculdade de Direito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1964/5, enquanto o Henrique cuidava do escritório.
Em fins de l968, quando regressei a Viçosa, separamo-nos no espaço, mas continuamos ligados no tempo, por uma amizade de irmãos: eles são tios dos meus filhos, e eu, dos filhos deles.
No ano de 1962, como solicitador, iniciei a minha atividade profissional, assistido por advogado nos dois primeiros anos, e daí em diante, por conta própria.
Em 1968, decidimos, minha família e eu, voltar para as origens e no dia 30 de dezembro de 1968, retornamos a Viçosa, aqui chegando exatamente às 12 horas do dia 31, justamente no momento em que a transportadora descarregava a nossa mudança. Já fez 42 anos a nossa estada em Viçosa.
E aqui, desde então, tenho exercido a advocacia.
Entretanto, em 1971, exatamente no dia 02 de agosto, recebi a visita do Dr. Edgar de Vasconcelos Barros, então deputado estadual, que se fazia acompanhar pelo Sr. David Procópio Loures Vale, diretor do recém instalado Colégio Estadual de Viçosa, localizado no prédio onde havia sido o Grupo Escolar “Cel. Antônio da Silva Bernardes”, localizado onde hoje se encontra a sede da Caixa Econômica Federal – agência de Viçosa.
Disseram, sem mais delongas, que se encontravam em minha casa para convidar-me para substituir o diretor David Procópio, que pretendia voltar a Ervália, onde residia. Surpreso com o convite, pedindo licença e deixando-os na sala, fui ao interior do apartamento, a fim de consultar minha esposa e ouvir-lhe o parecer. Depois de ouvir-me, ela me aconselhou a aceitar o convite. E foi assim que, recebendo as visitas ilustres, tornei-me diretor de colégio.
No dia 04 de agosto, já me encontrava a postos a fim de começar a entender a engrenagem do Colégio, bem como me familiarizar com os funcionários, professores e alunos. Designado diretor pela Secretaria de Estado da Educação, assumi a direção e durante 07 anos, pouco mais, dirigi o Colégio Estadual de Viçosa, já com o nome de Escola Estadual “Dr. Raimundo Alves Torres” – ESEDRAT -, denominação escolhida por nós em assembléia de professores para esse fim convocada.
Ratificada pelos professores a escolha do nome, a ata foi encaminhada ao deputado que se comprometeu transformá-la em lei, e assim o fez.

VIÇOSA CLUBE – 1972/1975

No final de 1971, sócios eminentes do Viçosa Clube, entre os quais se encontrava o Dr. SEBASTIÃO FERREIRA DA SILVA, reuniram-se na sede do Clube, no sobrado do prédio localizado na Praça Silviano Brandão, para a eleição da nova diretoria para o novo mandato, que se iniciaria no dia 1º de janeiro do ano seguinte, ou seja l972. Realizada a eleição, foram eleitos: JOSÉ SANTANA (Filinho da Mundial), para presidente, EXPEDITO LUIZ LEÃO, para vice-presidente, DUARTE TAFURI, secretário, ADSON BICALHO, para tesoureiro, etc.
No dia 1º de janeiro de 1972, reuniu-se um pequeno número de sócios para dar posse à nova diretoria, tendo, antes desse ato, sido lida uma correspondência enviada pelo sócio Filinho da Mundial, na qual dizia da grande satisfação em haver sido eleito para presidir a instituição, mas que, por motivos de força maior e a contragosto, declinava da honra de vir a ser o novo presidente de uma instituição recreativa e social de grande tradição na sociedade viçosense, não podendo assumir. Diante deste fato, os demais sócios escolhidos foram empossados, tendo eu o vice-presidente, assumido a presidência da instituição.
No dia 1º de janeiro de 1972, por força das circunstâncias retro citadas, assumi a direção do clube. Passava a instituição, por uma crise muita séria, com um pequeno número de associados e, praticamente, sem nenhuma atividade social para os sócios, a não ser uma sala de carteado para os aficionados. Com dificuldade, o presidente anterior, Nestor Pataro, havia, depois de transacionar a venda da sede da Praça do Rosário, que estava sendo construída, com a Municipalidade, transferindo-a para a Prefeitura, adquiriu lotes de terra no Bairro de Ramos, bairro novo, e, nesses lotes, começou a construção da nova sede. Levantara o prédio, e o cercara com as paredes externas e fizera no térreo alguns cômodos. O Piso do térreo estava por fazer, as paredes necessitavam do acabamento e no salão superior, tudo estava por fazer, os vidros das paredes laterais, os banheiros, o piso e a própria entrada de acesso ao salão.
A instituição não possuía reserva financeira, os sócios, embora pequena a mensalidade, não efetuavam o pagamento, a não ser um pequeno número; também o clube não possuía nenhuma pessoa encarregada da cobrança. A entidade sócio recreativa há muito tempo não realizava nenhuma atividade social, com o objetivo de reunir seus associados.
Resolvemos, os demais membros da diretoria e eu, contratar um funcionário para buscar a colaboração dos associados na quitação das mensalidades em atraso. Com o recebimento dessas mensalidades, foi-nos possível cimentar o salão térreo, terminar os sanitários masculino e feminino, adquirir uma geladeira comercial, um fogão industrial, arrumar a cozinha, construir um balcão divisório para atendimento no fornecimento de cerveja, refrigerantes e salgadinhos, e, do lado de fora, uma passarela do portão de acesso às dependências do salão térreo. Arranjamos cadeiras, mesas emprestadas, toalhas alugadas e, por fim, contratamos um grupo de músicos, que se intitulou de “Durango Kid”, tudo em 20 dias, e realizamos o carnaval de 1972. O Viçosa Clube, qual fênix, ressurgia da letargia em que se encontrara por alguns anos, em virtude da situação financeira em que estava vivendo havia tempo. Criamos o slogan A FAMÍLIA EM SOCIEDADE e a marca VC.
Em l973, realizamos o segundo carnaval, com o mesmo conjunto, sempre sob a direção de Vantuil. Em 1974, buscamos os músicos que faziam parte da Banda do Canecão. Sob o comando do maestro Waldomiro e dando à banda um novo nome, só para nos atender por não poder fazê-lo com o nome de BANDA DO CANECÃO, que pertencia à casa de espetáculos CANECÃO do Rio de Janeiro, realizamos o carnaval no andar superior, ou seja no salão de festas.
Em 1975, já com os vidros nos janelões do lado esquerdo, trouxemos os músicos do quartel da Polícia Militar de Barbacena, um conjunto musical carnavalesco de escol, que, sob o nome OS BRASINHAS, abrilhantou as quatro noites carnavalesca desse ano.Tudo o que fizemos, só o fizemos porque tivemos a colaboração de muitos sócios, entre os quais Adson Bicalho e Duarte Tafuri, o eterno enamorado do Viçosa Clube, de alunos do Colégio Estadual, dos que hoje são meus genros, Antônio Moisés e Geraldo Rivelli, e de minha família, esposa e filhos. Em 1976, novamente OS BRASINHAS; em seguida, deixamos a diretoria e nos recolhemos ao anonimato.
Ironia das ironias! Eu que nunca fui carnavalesco e nem contumaz freqüentador de festas sociais, como presidente do Viçosa Clube, preparei reuniões sociais e bailes carnavalescos para os outros (sócios do clube).

16 DE AGOSTO DE 1972

Convidado pelo então rotariano, Dr. Ary Teixeira de Oliveira, que foi o meu padrinho, em uma reunião festiva, como é de praxe, fui admitido como sócio do ROTARY CLUB DE VIÇOSA, que tem como lema internacional DAR DE SI SEM PENSAR EM SI. Identifiquei-me com o Rotary e durante anos busquei colocar em prática o lema internacional do Rotary. Ocupei vários postos, e a presidência, exerci-a por duas vezes. A primeira, no biênio 1977/78 e a segunda, exatamente dez anos depois, ou seja, em 1987/88.
Quando, em 1977, me tornei espírita, aceitando a doutrina do “Fora da Caridade não há Salvação”, não me foi difícil aceitá-la pois já havia aprendido a “DAR DE MIM SEM PENSAR EM MIM”.
Em agosto de 1977, mais precisamente no dia 26 de agosto, o grande acontecimento de minha vida, o divisor de águas da minha atual existência, aquele que demarcaria o novo rumo que deveria me abrir novos horizontes para a busca de um porvir melhor: entrei no Espiritismo, na ânsia promissora de tornar-me um.
E desde então posso dizer que nasci de novo, mais preocupado com o outro, compreendendo que somos efetivamente cada um de nós o complemento do outro; e que o futuro, para se concretizar no bem de todos, não poderá deixar de lado um que seja, porque a vida só será completa e feliz quando todos forem felizes.
Enquanto houver lágrimas, ainda que seja a de um só, haverá lágrimas no mundo, e a felicidade não poderá existir. Não posso mudar o mundo, nem mesmo uma só pessoa, mas posso mudar a mim mesmo. E será assim que o mundo se modificará, e isto será realidade quando os homens tiverem realizado essa transformação individual, e a soma de todos será a salvação do mundo e o estabelecimento da plenitude da vida. Temos tempo, porque o tempo se perde na eternidade. Hoje, eu faço palestras espíritas, analisando a mensagem cristã. E, falando, ouço. E, ouvindo, também aprendo tanto quanto os outros. Ah! Se o mundo tivesse compreendido a mensagem do Cristo! Mas, ainda é tempo, porque o tempo é eterno.
Aos 07 de junho de 2004, juntamente com Luís Otávio Guimarães foi criado o GRUPO ESPÍRITA AFONSO RUBEM NUNES – GEARN, com sede em minha residência, Rua Francisco Machado, 265 A, com reuniões de estudo aos sábados, às 19:30h e no primeiro sábado, de cada mês, palestra no Espaço Cultural Hervê Cordovil (Estação Ferroviária), às 17:00h.

23 de FEVEREIRO de 2011

Nesta data, participei pela última vez de uma sessão do júri, como advogado. Fi-lo, ao lado de meu filho, Expedito Luiz Leão Júnior, patrocinando a defesa de três réus acusados por tentativa de homicídio. Conseguimos a absolvição dos três, por unanimidade.
O Juiz presidente do Tribunal, ao término da sessão, enalteceu a minha participação como advogado nesta comarca e nas comarcas circunvizinhas. Em seguida, a 91ª Seção da OAB/MG entregou-me uma placa comemorativa do evento, dando-me parabéns e externando agradecimento pela minha ativa participação como advogado e cidadão.

HOMENAGENS

Figura Marcante de 1974 – Categoria Benemérito da Comarca de Viçosa, título conferido pelo Jornal A Cidade de Viçosa, 1975.

Personalidade do Ano como Educador, Viçosa, 1976.

Advogado do Ano, conferido pela Imprensa de Viçosa, 1976.

Honra ao Mérito, Diploma conferido pela Escola Estadual “Dr. Raimundo Alves Torres”, 1999.

Medalha Desembargador Hélio Costa, conferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 2000.

Placa de Reconhecimento pelos Serviços Prestados à Sociedade como Advogado, outorgada pela 91ª Subseção OAB/MG, 23/02/2011.

Esta é a história da minha vida, em rápidas pinceladas. Registrei apenas o que me pareceu mais importante, para minha família e para algumas pessoas mais, aquelas que me foram benfeitoras e aquelas que eu, de alguma forma, pude servir.
Aos que lerem essas anotações um conselho: Por mais difícil que a vida lhes pareça, ela merece ser vivida, porque é na luta que se forjam os caracteres e é da luta que nascem os fortes. “A vida é uma luta que aos fracos abate e aos fortes intimida” , mas, intimidados, continuam a lutar e lutando, vencem.

Um comentário:

  1. Meu querido pai,
    Li com grande admiração o seu relato. Compartilhei a sua força, luta só possível àqueles que não perdem a esperança, vencem às vicissitudes e acreditam na vida.
    Embora você ache que sou muito sonhadora, que acredite muito no ser humano e que somos diferentes nesse aspecto, senti que somos iguais, embora você fique achando graça do meu otimismo e da minha crença na força da palavra.
    A palavra, para mim, é o primeiro passo para fazer as coisas acontecerem. Não em um passe de mágica, mas com trabalho, perseverança, luta e muita fé de que as coisas podem mudar, apesar de todas as controversas e embates que encontramos pelo meio do caminho.
    E você, pai, ao relatar um pouco do que aconteceu em sua vida, reforça mais ainda a minha maneira de pensar.
    Tenho muito orgulho de você e de mamãe. Sempre, sempre digo que vocês são o nosso esteio, a nossa grande esperança de que tudo pode acontecer e que tudo pode melhorar.
    Pensar no que você e mamãe tiveram que enfrentar, como lutaram para nos dar instrução, fazer da gente seres humanos mais capazes e viradores; faz com que olhemos para vocês com uma enorme gratidão por tudo o que fizeram por nós e que ainda fazem.
    Somos uma família abençoada por Deus, nosso grande mestre!
    Somos o que somos, graças a vocês!!!
    Que tal aproveitar essa veia de escritor e escrever as suas memórias?
    Você tem o dom da palavra, sabe metaforizar como ninguém. Já escreveu poesias, pode, então, romancear as sua memórias.
    Contar como eram as suas brincadeiras infantis, os namoros, o casamento, o nascimento de cada filho, a sua ascendência na empresa, as nossas festas de família, o seu trabalho humanitário, a sua crença no kardecismo. Lembrar também de casos pitorescos etc. Garanto-lhe que daria um romance memorialista sensacional.
    Você pode me perguntar se vale a pena escrevê-lo ou para quem escrevê-lo? Primeiramente para você e para nós. Depois, para mostrar aos seus futuros leitores como era a época em que você viveu desde menino até agora.
    Poderia lembrar fases políticas, falar da sua experiência kadercista, da época dos bailes, do carnaval etc.
    Pense com carinho no que estou lhe falando. Reflita e (como gostaria!) escreva!
    Deixe as suas lembranças involuntárias falarem por você! O cheiro de um perfume ou de uma comida, muitas vezes nos remete a uma lembrança.
    Beijos, meu pai amigo, que é e sempre será o meu exemplo de vida.
    Amo-o desmedidamente!
    Beijo no seu coração! Sua filhota, Lu

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